Funceme aponta que período de chuva será menor quando comparado com o do ano passado no Estado
Fortaleza. A quantidade de chuva para este ano, principalmente nos próximos três meses no Ceará, pode não superar as expectativas ou, mais precisamente, ir de encontro à previsão dos profetas do sertão. De acordo com o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Martins, "não se espera chuva na mesma proporção que o ano passado". A informação foi repassada durante a realização do XII Workshop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino, iniciado ontem e que termina hoje, no Seara Praia Hotel, em Fortaleza.
Mesmo assim, Sávio Martins disse que o prognóstico oficial de chuvas no Estado só será divulgado amanhã, quando forem compiladas informações de todas as análises realizadas em parceria com instituições nacionais e internacionais, como da Alemanha e Estados Unidos, por exemplo. O objetivo do workshop é elaborar um prognóstico de chuvas para o Estado do Ceará durante a quadra chuvosa, que inclui os meses de fevereiro até maio.
Neste ano, participam, além da Funceme, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o "International Research Institute for Climate and Society" (do inglês, Instituto de Pesquisas Internacionais para o Clima e Sociedade) da Columbia University (USA), e representantes dos Núcleos estaduais de Meteorologia dos Estados do Maranhão, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Também participam pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Os participantes fizeram avaliações das condições dos Oceanos Pacífico e Atlântico e dos resultados de modelos dinâmicos globais e regionais e de modelos empíricos de diversas instituições. Por se tratar de previsões meteorológicas, de acordo com Sávio Martins, os dados das outras instituições são considerados importantes porque têm sua contribuição para o cenário mundial e ajudam a entender as mudanças climáticas e a traçar uma previsão para a realidade local.
"Existem várias vantagens e quando se fala em Meteorologia, é a mesma língua tanto dentro quanto fora do País. A nossa atividade é global", salienta o presidente da Funceme. Além disso, Sávio Martins argumenta que devem ser observados inúmeros aspectos, como a vegetação, o solo e a temperatura das águas dos oceanos. "É um misto de informações que devem ser consideradas para traçar um prognóstico certo. Hoje, percebemos que os campos oceânicos não estão muito favoráveis à precipitação", diz.
Para o presidente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Divino Moura, a participação das instituições é considerada importante para que seja realizado um prognóstico mais sólido, em que o índice de erros seja menor, além de contar com informações que são verificadas em todo o mundo. O trabalho feito junto com as instituições parceiras consiste em utilizar as mesmas informações coletadas sobre as mudanças climáticas e que podem ser úteis para projetar a quadra chuvosa no Ceará.
"Utilizamos informações não lineares e são muitos dados utilizados para que cheguemos a um consenso. Utilizamos informações sobre a atmosfera, conhecimento físico, termodinâmica entre outras, como as atividades oceânicas", diz. Para que se chegue a uma informação mais precisa, Moura explica que é preciso observar todos esses dados e elaborar uma média do que já ocorreu ou acontece com mais frequência.
"Ano passado nossa previsão foi muito acertada. O conhecimento científico nos proporciona esses acertos e temos a metodologia que nos garante maior índice de acertos", revela. Além disso, Divino Moura acredita que a região Nordeste é a mais previsível do mundo quanto à possibilidade de a meteorologia ser precisa. "É possível prever para qual lado está favorável a formação de chuvas", diz. Mesmo assim, Moura respeita - apesar de não adotar - a cultura utilizada pelos profetas da chuva quanto à possibilidade de acertarem, pela influência da natureza, se o ano será de muita ou pouca chuva.
"O que os profetas fazem é observar a natureza e isso já existe há muitos anos. Mas acredito que um animal, por exemplo, não é capaz de, pelo seu comportamento, prever o que acontecerá nos próximos três meses. Ele reage às mudanças, mas isso não garante que a previsão será de chuva ou de seca", diz Moura.
Ele também explicou que o fenômeno El Niño, caracterizado pela alteração na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, não é igual todos os anos. A cada período, é preciso analisar suas interferências no clima para poder melhor prever como será o período de chuvas no Estado do Ceará.
Quando acontece o fenômeno El Niño, os ventos sopram com menos força em todo o centro do Oceano Pacífico, resultando numa diminuição da ressurgência de águas profundas e na acumulação de água mais quente que o normal na costa oeste da América do Sul. No Brasil, a variação no volume de chuvas depende de cada região e da intensidade do fenômeno. Na região Nordeste ocorre a diminuição de precipitação e secas, além de agravar a situação no sertão nordestino.
Fortaleza. A quantidade de chuva para este ano, principalmente nos próximos três meses no Ceará, pode não superar as expectativas ou, mais precisamente, ir de encontro à previsão dos profetas do sertão. De acordo com o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Martins, "não se espera chuva na mesma proporção que o ano passado". A informação foi repassada durante a realização do XII Workshop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino, iniciado ontem e que termina hoje, no Seara Praia Hotel, em Fortaleza.
Mesmo assim, Sávio Martins disse que o prognóstico oficial de chuvas no Estado só será divulgado amanhã, quando forem compiladas informações de todas as análises realizadas em parceria com instituições nacionais e internacionais, como da Alemanha e Estados Unidos, por exemplo. O objetivo do workshop é elaborar um prognóstico de chuvas para o Estado do Ceará durante a quadra chuvosa, que inclui os meses de fevereiro até maio.
Neste ano, participam, além da Funceme, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o "International Research Institute for Climate and Society" (do inglês, Instituto de Pesquisas Internacionais para o Clima e Sociedade) da Columbia University (USA), e representantes dos Núcleos estaduais de Meteorologia dos Estados do Maranhão, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Também participam pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Os participantes fizeram avaliações das condições dos Oceanos Pacífico e Atlântico e dos resultados de modelos dinâmicos globais e regionais e de modelos empíricos de diversas instituições. Por se tratar de previsões meteorológicas, de acordo com Sávio Martins, os dados das outras instituições são considerados importantes porque têm sua contribuição para o cenário mundial e ajudam a entender as mudanças climáticas e a traçar uma previsão para a realidade local.
"Existem várias vantagens e quando se fala em Meteorologia, é a mesma língua tanto dentro quanto fora do País. A nossa atividade é global", salienta o presidente da Funceme. Além disso, Sávio Martins argumenta que devem ser observados inúmeros aspectos, como a vegetação, o solo e a temperatura das águas dos oceanos. "É um misto de informações que devem ser consideradas para traçar um prognóstico certo. Hoje, percebemos que os campos oceânicos não estão muito favoráveis à precipitação", diz.
Para o presidente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Divino Moura, a participação das instituições é considerada importante para que seja realizado um prognóstico mais sólido, em que o índice de erros seja menor, além de contar com informações que são verificadas em todo o mundo. O trabalho feito junto com as instituições parceiras consiste em utilizar as mesmas informações coletadas sobre as mudanças climáticas e que podem ser úteis para projetar a quadra chuvosa no Ceará.
"Utilizamos informações não lineares e são muitos dados utilizados para que cheguemos a um consenso. Utilizamos informações sobre a atmosfera, conhecimento físico, termodinâmica entre outras, como as atividades oceânicas", diz. Para que se chegue a uma informação mais precisa, Moura explica que é preciso observar todos esses dados e elaborar uma média do que já ocorreu ou acontece com mais frequência.
"Ano passado nossa previsão foi muito acertada. O conhecimento científico nos proporciona esses acertos e temos a metodologia que nos garante maior índice de acertos", revela. Além disso, Divino Moura acredita que a região Nordeste é a mais previsível do mundo quanto à possibilidade de a meteorologia ser precisa. "É possível prever para qual lado está favorável a formação de chuvas", diz. Mesmo assim, Moura respeita - apesar de não adotar - a cultura utilizada pelos profetas da chuva quanto à possibilidade de acertarem, pela influência da natureza, se o ano será de muita ou pouca chuva.
"O que os profetas fazem é observar a natureza e isso já existe há muitos anos. Mas acredito que um animal, por exemplo, não é capaz de, pelo seu comportamento, prever o que acontecerá nos próximos três meses. Ele reage às mudanças, mas isso não garante que a previsão será de chuva ou de seca", diz Moura.
Ele também explicou que o fenômeno El Niño, caracterizado pela alteração na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, não é igual todos os anos. A cada período, é preciso analisar suas interferências no clima para poder melhor prever como será o período de chuvas no Estado do Ceará.
Quando acontece o fenômeno El Niño, os ventos sopram com menos força em todo o centro do Oceano Pacífico, resultando numa diminuição da ressurgência de águas profundas e na acumulação de água mais quente que o normal na costa oeste da América do Sul. No Brasil, a variação no volume de chuvas depende de cada região e da intensidade do fenômeno. Na região Nordeste ocorre a diminuição de precipitação e secas, além de agravar a situação no sertão nordestino.
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