
Brasileiros entram com pedido de adoção e EUA recebem órfãos, mas o Unicef desaconselha a ação
Porto Príncipe. Mais de 300 brasileiros fizeram pedidos para adotar crianças haitianas desde o terremoto que devastou o país, informou a Embaixada do Haiti em Brasília. Antes do terremoto, 48% da população tinha menos de 18 anos e havia mais de 380 mil órfãos.
No entanto, os diplomatas afirmam que não há como dar continuidade aos processos, tendo em vista a situação crítica que vive o país. A previsão é que os pedidos comecem a ser analisados em 30 dias.
As pessoas interessadas em adotar devem mandar um e-mail com dados pessoais para a embaixada haitiana, para que os pedidos sejam encaminhados quando as condições do país melhorarem.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República desaconselha a adoção de haitianos neste momento. "A adoção internacional não deve ocorrer em situações de instabilidade como guerras, calamidades e desastres naturais, por não ser possível verificar o histórico pessoal e familiar da criança que se pretende colocar em adoção, com a atual situação no Haiti", afirma a subsecretária para Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Presidência da República e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também afirma que a adoção estrangeira deve ser o último recurso. "A reunificação familiar deve ser favorecida", afirma a porta-voz da Unicef, Veronique Taveau. A instituição tenta identificar e registrar crianças que vagam desacompanhadas pelas ruas caóticas da capital Porto Príncipe, cujos pais morreram ou estão desaparecidos. Também há a preocupação com o tráfico de menores.
O Unicef relata o caso de uma menina de 2 anos e um menino de 7 que estão em um dos hospitais da missão de paz da ONU, sem ferimentos graves, mas que não têm para onde ir.
A menina sofre de paralisia cerebral e chegou ao hospital desidratada e em estado de choque. "Ela está na maca, chorando e sozinha. Ninguém sabe como se chama nem por onde começar a procurar sua família", contam os membros do Unicef.
No mesmo hospital está Sean, que chegou gritando ao hospital com poucos arranhões e ficou 12 horas em posição fetal. Segundo o Unicef, as enfermeiras disseram que o garoto contou que seus pais estão mortos. Os médicos não querem dar alta sem saber quem tomará conta deles, diz a organização humanitária, que está tentando montar dois refúgios para crianças como Sean e a "menina", nos quais possam ser atendidas enquanto suas famílias são procuradas. O Haiti não é signatário da Convenção de Haia, que regulamenta e padroniza a adoção internacional. Assim, quem quer adotar uma criança precisa entrar em contato com a embaixada, que fará a intermediação com as autoridades do país.
Porto Príncipe. Mais de 300 brasileiros fizeram pedidos para adotar crianças haitianas desde o terremoto que devastou o país, informou a Embaixada do Haiti em Brasília. Antes do terremoto, 48% da população tinha menos de 18 anos e havia mais de 380 mil órfãos.
No entanto, os diplomatas afirmam que não há como dar continuidade aos processos, tendo em vista a situação crítica que vive o país. A previsão é que os pedidos comecem a ser analisados em 30 dias.
As pessoas interessadas em adotar devem mandar um e-mail com dados pessoais para a embaixada haitiana, para que os pedidos sejam encaminhados quando as condições do país melhorarem.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República desaconselha a adoção de haitianos neste momento. "A adoção internacional não deve ocorrer em situações de instabilidade como guerras, calamidades e desastres naturais, por não ser possível verificar o histórico pessoal e familiar da criança que se pretende colocar em adoção, com a atual situação no Haiti", afirma a subsecretária para Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Presidência da República e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também afirma que a adoção estrangeira deve ser o último recurso. "A reunificação familiar deve ser favorecida", afirma a porta-voz da Unicef, Veronique Taveau. A instituição tenta identificar e registrar crianças que vagam desacompanhadas pelas ruas caóticas da capital Porto Príncipe, cujos pais morreram ou estão desaparecidos. Também há a preocupação com o tráfico de menores.
O Unicef relata o caso de uma menina de 2 anos e um menino de 7 que estão em um dos hospitais da missão de paz da ONU, sem ferimentos graves, mas que não têm para onde ir.
A menina sofre de paralisia cerebral e chegou ao hospital desidratada e em estado de choque. "Ela está na maca, chorando e sozinha. Ninguém sabe como se chama nem por onde começar a procurar sua família", contam os membros do Unicef.
No mesmo hospital está Sean, que chegou gritando ao hospital com poucos arranhões e ficou 12 horas em posição fetal. Segundo o Unicef, as enfermeiras disseram que o garoto contou que seus pais estão mortos. Os médicos não querem dar alta sem saber quem tomará conta deles, diz a organização humanitária, que está tentando montar dois refúgios para crianças como Sean e a "menina", nos quais possam ser atendidas enquanto suas famílias são procuradas. O Haiti não é signatário da Convenção de Haia, que regulamenta e padroniza a adoção internacional. Assim, quem quer adotar uma criança precisa entrar em contato com a embaixada, que fará a intermediação com as autoridades do país.
FONTE - DN
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