24 de setembro de 2009

CRISE EM HONDURAS - Homem morre em confrontos


Um homem morreu na noite da última terça-feira, vítima de um tiro recebido durante confronto entre seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e a Polícia de Tegucigalpa.
Segundo o jornal espanhol "El País", Francisco Alvarado, 65 anos, é a primeira vítima dos confrontos. A publicação, que cita a irmã de Alvarado, María, diz que o homem morreu no bairro de Flor del Campo, no sul de Tegucigalpa, quando ia comprar suco em uma loja. Ele não participava da manifestação e foi atingido por um tiro no abdome. Alvarado morreu ao chegar ao hospital.
Ontem, milhares de hondurenhos enfrentaram longas filas em supermercados, postos de combustíveis e bancos para se abastecer durante as seis horas de suspensão do toque de recolher decretado pelo governo interino. Alguns super-mercados foram saqueados.
"Não queremos passar fome caso isso se prolongue. A solução para esse assunto é que Zelaya se entregue às autoridades e nos deixe em paz", afirmou a hondurenha Lourdes Carbajal, de 26 anos, enquanto carregava bolsas com água, pão, óleo, carne, ovos e feijão.
Zelaya permanece refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, cercada por tropas hondurenhas. Ontem, o Ministério Público de Honduras afirmou que 162 pessoas - 140 adultos e 22 crianças - deixaram o prédio por ação das forças de segurança.
Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) levaram alimentos e água para os abrigados na Embaixada.
O sacerdote Andrés Tamayo, que acompanha Zelaya, afirmou que "houve momentos nos quais uma bolacha era dividida em quatro partes para que ninguém ficasse sem comer".
"Houve muita solidariedade, o presidente nos acompanhou o tempo todo", relatou Tamayo, acrescentando que 400 pessoas chegaram a ficar abrigadas na Embaixada brasileira. Do lado de fora do prédio, médicos estão de plantão para eventuais atendimentos a pessoas que estão dentro da sede diplomática.
Zelaya denunciou um suposto plano do governo interino hondurenho para invadir a Embaixada brasileira e matá-lo. "Parece que eles têm até médicos legistas prontos para declarar que houve um suicídio", afirmou o deposto.
O presidente deposto criticou a oferta de diálogo feita pelo interino Roberto Micheletti como uma "manipulação" e o acusou de não ter vontade de resolver a crise que vive o país.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, suspendeu a assistência técnica ao tribunal eleitoral de Honduras, dizendo que os tumultos dos últimos dias mostram que não há condições para realização da eleição presidencial marcada para novembro.
A Câmara enviará nos próximos dias a Honduras uma missão de deputados brasileiros para acompanhar os desdobramentos da situação no país. "A idéia é rechaçar todas as tentativas de desvirtuamento das instituições e proteger a integridade da representação brasileira em Honduras", afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).
Ainda não há uma data definida para a partida da missão. A idéia em discussão é que os deputados viagem em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Caso o avião da FAB seja impedido de pousar em território hondurenho, a alternativa seria desembarcar na Costa Rica ou em El Salvador.
Devem integrar a missão, além de Ivan Valente, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Raul Jungmann (PPS-PE), Marcondes Gadelha (PSB-PB)e Domingos Dutra (PT-MA).

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