24 de setembro de 2009

Monteiro exonera delegados

Numa atitude surpreendente e que causou constrangimento no seio da Polícia Civil, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal aposentado, Roberto Monteiro, determinou, ontem, a exoneração de três delegados considerados "linha de frente" no combate ao crime organizado no Ceará.
Monteiro usou como pretexto um documento que, segundo ele, lhe foi enviado pela Ordem dos Advogados do Brasil, secção Ceará (OAB-CE), criticando a exposição de presos na mídia.
Por ordem do secretário, foram exonerado de seus cargos os titulares das delegacias de Narcóticos (Denarc), César Wagner Maia Martins; do 8º DP (José Walter), Ana Lúcia Moreira de Almeida; e da Metropolitana de Maracanaú (DMM), Romério Moreira de Almeida.
Monteiro não deu entrevista sobre o assunto. A assessora de Imprensa da SSPDS, jornalista Angélica Martins, falou ao Diário do Nordeste, ainda na manhã de ontem. Ela confirmou a exoneração dos delegados, classificando o fato como uma "medida administrativa, pois o secretário já pensava em fazer algumas mudanças". No começo da noite, a Assessoria encaminhou à Imprensa uma nota oficial.
Segundo a nota, a exoneração dos delegados "foi gerada a partir de ofício oriundo da Ordem dos Advogados do Brasil. O documento trata da constante exposição de presos sob a custódia da Polícia Civil, que a OAB-CE classifica como constrangimento e violação de um preceito constitucional".

OAB desmente
"Não pedimos a exoneração de ninguém, de quem quer que seja, nem sequer nominamos. Apenas oficiamos ao secretário sugerindo para que ele recomendasse a preservação da imagem dos presos, que é uma bandeira da OAB. Não citamos nome de ninguém nem ao menos denunciamos situações concretas."
A reação partiu do presidente da OAB-CE, advogado Hélio Leitão, em entrevista ao Diário do Nordeste no começo da noite passada. "Cópias do ofício estão à disposição da Imprensa e já encaminhamos uma delas ao doutor Lusimar (presidente do Sindicato dos Delegados). Repito, não pedimos a exoneração de ninguém", completa Leitão.
"Ficamos tristes pela interrupção do trabalho que vínhamos realizando. A Denarc prendeu, desde o ano passado, 400 traficantes, apreendeu 160 quilos de crack, 28 quilos de cocaína e mais de 400 quilos de maconha, um recorde em mais de 15 anos da delegacia."


DN

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