23 de maio de 2011

Ciclomotores viram sucata no pátio do Detran


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Na maioria dos casos o valor do resgate, que inclui multas e habilitação, tem valor superior ao do veículo
FOTO: JOSÉ LEOMAR

Blitze em Fortaleza e região metropolitana passam a apreender menos ciclomotores e mais motocicletas

Pátios repletos de motocicletas e ciclomotores. Muitos desses veículos, guardados em depósitos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), na sede localizada na Maraponga, estão abandonados, o que obriga o poder público a levar a leilão e, em muitos casos, na condição de sucata.
O auxiliar de serviços gerais José Roberto Paiva Neto, 22 anos, teve sua "Cinquentinha", ou ciclomotor, apreendida em fevereiro passado. De lá para cá, já esteve no Detran-CE por duas ocasiões, mas em ambas foi dissuadido em não mais tentar reaver o veículo, porque não possui a documentação da compra.

Dívidas
O gerente de fiscalização do Detran-CE, Pedro Forte, disse que o motivo de parte dessa frota não ser resgatada decorre de dívidas de licenciamento e multas que, somadas, chegam a ter um valor superior ao do veículo.
No caso, dos ciclomotores lembra que o descaso dos proprietários é por conta da falta de documentação. Ele explica que esses veículos são montados em oficinas e muitas notas fiscais apresentadas são relativas a peças e não a "motoneta".
Forte informou que atualmente os depósitos do Detran-CE contam com 705 motocicletas, 587 ciclomotores e 360 carros, totalizando 1.652 veículos. Com exceção dos carros que ficam estacionados numa área coberta, os demais estão expostos ao sol e a chuva.
Desde janeiro deste ano o Detran-CE e a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) têm realizado uma média de 10 blitze diárias em Fortaleza e região metropolitana. As ações resultaram em um maior número de apreensões de veículos do tipo motocicletas e em menor quantidade de ciclomotores.
O comandante da PRE, coronel Túlio Studart, disse que há uma determinação de política de segurança pública em focar as abordagens nos motociclistas. A razão, deve-se ao fato de que em muitos homicídios praticados em Fortaleza, os assassinos estão conduzindo motocicletas. Além do que, estes veículos são os maiores causadores de vítimas em acidentes de trânsito, tanto na zona urbana, quanto na área rural.

Fiscalização
Para o coronel Túlio, os números revelam que as barreiras dispostas pela Polícia Militar, em parceria com o Detran e os municípios que contam com agentes de trânsito, somente se intensificaram este ano. Ele lembra que o patamar, inclusive, tem sido elevado desde novembro passado, quando começaram as apreensões dos ciclomotores
Segundo o comandante da PRE, a maioria delas, se deve ao fato de que os condutores não possuem habilitação, como também porque os veículos estão sem emplacamento.
"A Prefeitura poderia até licenciar esses veículos, mas continuariam irregulares porque são veículos automotores e requerem habilitação", afirmou o Túlio Studart.

FIQUE POR DENTRO

Ciclomotor - Veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda a 50 centímetros cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a 50 quilômetros por hora.

Motocicleta - Veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car, dirigido por condutor em posição montada.

Motoneta - Veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor em posição sentada.

Triciclo - Veículo de três rodas motorizado, possui duas rodas na frente ou atrás, com ou sem cabine. O condutor dirige em posição sentada.

APREENSÕES
Maioria não tem documento

A maioria das apreensões de motocicletas ocorrem devido as irregularidades na documentação. O comandante da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), coronel Túlio Studart, explicou que as abordagens tornaram-se mais incisivas, desde quando as ações de fiscalização têm tomado grande parte das cidades do Estado.
Contudo, lembra que essas iniciativas esbarram em dificuldades que vão desde a limitação de recursos humanos até a questão cultural, que é o não uso do capacete e o transporte de mais de um passageiro em motocicleta, o que é fato ainda muito comum na zona rural do Ceará.
Na questão dos recursos humanos, observa que a Polícia Rodoviária Federal (PRF), dispõe de 400 homens para o patrulhamento de 3 mil quilômetros de rodovias federais. Esse mesmo contingente é utilizado pela Polícia Militar para 12 mil quilômetros de rodovias estaduais, sendo que apenas 7 mil quilômetros são pavimentadas, o que dificulta as ações.
Outra dificuldade apresentada pelo militar é com relação ao fator cultural. Ele diz que é difícil, ainda, nos dias de hoje, firmar a obrigação do uso do capacete e o limite de pessoas transportadas em motocicletas, principalmente entre os condutores do interior do Estado.
"A gente tem batido na mesma tecla, mas não tem surtido o efeito esperado.
Quando realizamos barreiras no Interior, há um grande pânico na população, afirmando que o objetivo é tomar os veículos de seus proprietários", ressaltou o coronel.

Redes sociais
Por fim, ressalta que um instrumento de comunicação da vida moderna tem prestado um desserviço às blitze. Trata-se do uso do twitter para informações a outros motoristas sobre locais de blitze.
"Notamos que as barreiras se intensificaram, mas as apreensões têm diminuído. O nosso serviço de inteligência trabalha com a hipótese de que os condutores estão sendo informados sobre os locais das abordagens, o que é prejudicial na tentativa de coibir o crime", ressaltou.

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