21 de março de 2011

Tucanos admitem fragilidade

Representantes do partido na Assembleia acreditam que após as convenções, a legenda ganhará novo fôlego

Uma das bancadas que demonstrava mais força na Assembleia Legislativa, o PSDB, vive hoje no parlamento cearense uma fase apagada. Primeiro pela falta de debates puxados pelos tucanos e também pela ausência deles no plenário. O líder do partido na Casa, deputado Moésio Loiola (PSDB), não esconde que há uma certa acomodação e apatia da bancada, mas deixa claro que esse comportamento está longe de ser um descaso.
Na legislatura passada, com 16 deputados eleitos, o PSDB era a maior bancada da Assembleia. Apesar de estar na base aliada do governador Cid Gomes (PSB), dando apoio administrativo, já que dois tucanos foram nomeados, na época, secretários do Governo, Bismarck Maia, hoje membro do PSB, e Marcos Cals, alguns tucanos deixavam claro a insatisfação de serem governistas.
Muitas vezes, os ex-deputados Cirilo Pimenta (PSDB) e Tomás Figueiredo (PSDB) subiram na tribuna para criticar a administração do governador Cid Gomes. Depois de quase quatro anos dando apoio à Administração Estadual, os tucanos romperam com o Executivo, no ano passado, e decidiram lançar candidato próprio para a disputa majoritária no Estado, Marcos Cals.
A partir daí, a expectativa era de que, na Assembleia Legislativa, os tucanos pudessem engrossar o coro da quase inexistente oposição. Mas apesar da Executiva do partido defender a tese de que o PSDB não era mais governo, boa parte da bancada tucana não escondeu o descontentamento de romper com o gestor Cid Gomes. Atualmente, a bancada é dividida entre governistas e opositores à administração de Cid.

Bancadas
De acordo com o ex-líder da legenda na Assembleia Legislativa, deputado estadual João Jaime (PSDB), há na Casa mais tucanos cidistas do que opositores. Entretanto, na avaliação do parlamentar, o PSDB não é o primeiro partido a viver essa situação, pois, segundo ele, outras bancadas já passaram pela mesma divisão e sobreviveram.
O tucano acredita que o empenho da Executiva estadual de sua sigla em formar diretórios em diversas cidades do Interior, buscando a reestruturação do partido no Ceará, dará novo fôlego ao PSDB.
Mas por enquanto, o deputado acredita que não tem como cobrar dos tucanos que estão no parlamento estadual uma posição mais firme em relação ao Governo do Estado, até mesmo pela falta de debates e de votações mais polêmicas.
De acordo com João Jaime, não tem como a Executiva exigir que todos sigam numa mesma linha. O fechamento de questão só virá quando tiver na Assembleia Legislativa assuntos e projetos de lei mais polêmicos, porém até o momento, o tucano aponta que existe uma "calmaria" na atual administração de Cid Gomes.
"O governador colocou todas as matérias polêmicas na convocação extraordinária. Agora, a discussão está esvaziada", analisa, lembrando que a última polêmica levantada no plenário da Casa foi um requerimento do deputado Heitor Férrer (PDT) pedindo informações sobre a viagem do governador, no mês de janeiro, em avião do empresário Alexandre Grendene.
Na ocasião, o atual líder da bancada tucana, deputado estadual Moésio Loiola, liberou os tucanos para votarem como quisessem e se absteve de votar. Para o deputado João Jaime, o colega agiu corretamente já que o partido não havia fechado questão sobre o assunto.

Referencial
Na avaliação do deputado Moésio Loiola, sua agremiação está passando por um período de readaptação pelo afastamento político do maior líder e modelo que os tucanos tinham no Estado do Ceará, o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB).
O líder da bancada tucana na Assembleia Legislativa alega ainda que a saída de Tasso Jereissati da vida política, tanto do Estado quanto do País, foi para os tucanos cearenses a perda de um referencial. Além disso, em nível nacional, Moésio Loiola afirma que também não houve uma sinalização de oposição mais forte. Todo esse cenário, atesta, reflete na bancada do PSDB na Assembleia Legislativa. No entanto, o tucano é otimista. Após as convenções, municipal e estadual, que devem ocorrer, no dia 17 de abril e 14 de maio, respectivamente, o PSDB tomará um caminho diferente, com Pedro Fiúza (PSDB) na presidência do partido em Fortaleza e Marcos Cals no comando da Executiva no Ceará. "Ainda haverá grande momento do PSDB", vislumbra Moésio.

Diretórios
Marcos Cals, que informa estar correndo o Interior do Estado afim de formar os diretórios municipais, promete que quando for eleito presidente estadual da sigla irá se dedicar à bancada tucana na Assembleia Legislativa. Contudo, também argumenta não haver assuntos polêmicos a serem debatidos na Casa, o que não exige uma posição mais firme dos deputados tucanos.
O deputado Fernando Hugo (PSDB), que assumiu, no início deste ano, o seu sexto mandato como parlamentar estadual do Ceará, lamenta a "imensa ausência dos deputados estaduais nas sessões", desabafando não existir coesão entre os tucanos que representam o partido no Legislativo cearense.

DN

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