
A Delegacia de Canindé poderá pedir a exumação de corpo de garoto em Itatira, para confirmar identidade
A família do menino Francisco Daniel Alves Prado - que supostamente estaria vivo no interior de São Paulo, depois de ser declarado morto em 1999 - formalizou o pedido de investigação do caso, na tarde de ontem, na Delegacia Regional de Canindé.
O delegado titular, Dionísio da Paz, recebeu a mãe do garoto, Maria Laura Alves Prado, acompanhada do marido, Francisco Evaldo Silva Pardo, e de outros parentes, todos bastante confusos com o desenrolar dos últimos fatos. De acordo com o delegado, será aberto o inquérito policial para apurar o que realmente ocorreu com a criança.
"A família está muito abatida com os acontecimentos, mas nossa missão é investigar e vamos colocar o caso no primeiro plano de nosso trabalho. Preciso ver ainda a quem compete apurar as denúncias", disse o delegado, lembrando que, no primeiro momento, de acordo com as informações da família, a provável subtração de menor teria ocorrido no Hospital Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza. Por isso, a competência das investigações seria da Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa).
Contudo, o delegado Dionísio adiantou que, independentemente dessa questão, a quem compete a apuração dos fatos, deve ser pedida a exumação do corpo do garoto de 4 anos que foi enterrado, em Itatira. "Sem dúvida, o primeiro passo seria solicitar o exame de DNA para comprovar se a criança que foi enterrada é ou não o Daniel", afirmou o delegado Dionísio.
Na manhã de ontem, o Diário do Nordeste recebeu uma denúncia de que o garoto teria sido entregue por duas irmãs, Ilza e Zilda Cunha, que moram na Barra do Ceará, a um caminhoneiro chamado Ivan Prado. Este teria levado a criança para São Paulo.
Essas mulheres são tias de Ana Maria Ximenes, a Mariazinha, que é irmã, de parte paterna, do pai de Daniel. Porém, ao chegar às residências dessas mulheres, a reportagem apurou que elas não tinham ideia da denúncia, sequer Ilza e Zilda Cunha conheceram o menino Daniel.
Ambas sofrem de problemas mentais, segundo a família. A sobrinha, Mariazinha, afirmou que, no dia da morte do garoto, foi chamada com outras duas irmãs para ver o corpo de Daniel, ainda no hospital. "Não achei parecido com ele não. Estava inchado demais pra quem tinha acabado de morrer. Mas como o médico falou que era o corpo dele, eu e minhas irmãs acreditamos", contou, sem lembrar o nome do médico.
De acordo com a família, a notificação de óbito foi assinada por uma enfermeira. O nome dela e a documentação da época estão sendo averiguados pelo IJF. Conforme a Assessoria de Imprensa do hospital, o prontuário foi encontrado. Daniel deu entrada no hospital às 17h, do dia 29 de setembro, vindo do hospital de Canindé.
Apresentava 18% do corpo com queimaduras de 2º e 3º grau, com diagnóstico de grande queimadura (o mesmo que queimaduras graves), por conta da explosão de um cilindro de oxigênio em uma oficina perto da casa do garoto, em Lagoa do Mato.
O menino passou por quatro procedimentos denominados "terapias cirúrgicas", nos dias 30 de setembro, primeiro, quatro e seis de outubro. Na madrugada do dia oito, ele foi transferido do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu, às 7h15 da manhã. O prontuário não está assinado por nenhum médico ou enfermeiro, informou a Assessoria de Imprensa.
Após a constatação do óbito, a mãe de Daniel disse que recebeu a recomendação de não abrir o caixão. "Eles colocaram o corpo todo enrolado no caixão e não era para abrir de forma alguma, mas como o garoto era meu filho resolvi abrir e foi aí que tive essa surpresa. Não era meu filho", confirmou Maria Laura, também conhecida como "Loura", em Lagoa do Mato.
A confusão começou quando uma mulher chamada Cristina, namorada do caminhoneiro Ivan, e residente da cidade de Araçoiaba da Serra (SP), solicitou, por telefone, ao cartório de Lagoa do Mato, a 2ª via da certidão de nascimento de Daniel, para matricular o garoto, hoje com 15 anos, em uma escola no interior de São Paulo. Ela chegou a enviar R$ 35 para pagar as despesas com o despacho. Ontem, Cristina negou tudo à Rede TV, em São Paulo. Ela se recusou gravar entrevista, mas afirmou que Daniel está morto.
ILO SANTIAGO JR.
REPÓRTER
A família do menino Francisco Daniel Alves Prado - que supostamente estaria vivo no interior de São Paulo, depois de ser declarado morto em 1999 - formalizou o pedido de investigação do caso, na tarde de ontem, na Delegacia Regional de Canindé.
O delegado titular, Dionísio da Paz, recebeu a mãe do garoto, Maria Laura Alves Prado, acompanhada do marido, Francisco Evaldo Silva Pardo, e de outros parentes, todos bastante confusos com o desenrolar dos últimos fatos. De acordo com o delegado, será aberto o inquérito policial para apurar o que realmente ocorreu com a criança.
"A família está muito abatida com os acontecimentos, mas nossa missão é investigar e vamos colocar o caso no primeiro plano de nosso trabalho. Preciso ver ainda a quem compete apurar as denúncias", disse o delegado, lembrando que, no primeiro momento, de acordo com as informações da família, a provável subtração de menor teria ocorrido no Hospital Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza. Por isso, a competência das investigações seria da Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa).
Contudo, o delegado Dionísio adiantou que, independentemente dessa questão, a quem compete a apuração dos fatos, deve ser pedida a exumação do corpo do garoto de 4 anos que foi enterrado, em Itatira. "Sem dúvida, o primeiro passo seria solicitar o exame de DNA para comprovar se a criança que foi enterrada é ou não o Daniel", afirmou o delegado Dionísio.
Na manhã de ontem, o Diário do Nordeste recebeu uma denúncia de que o garoto teria sido entregue por duas irmãs, Ilza e Zilda Cunha, que moram na Barra do Ceará, a um caminhoneiro chamado Ivan Prado. Este teria levado a criança para São Paulo.
Essas mulheres são tias de Ana Maria Ximenes, a Mariazinha, que é irmã, de parte paterna, do pai de Daniel. Porém, ao chegar às residências dessas mulheres, a reportagem apurou que elas não tinham ideia da denúncia, sequer Ilza e Zilda Cunha conheceram o menino Daniel.
Ambas sofrem de problemas mentais, segundo a família. A sobrinha, Mariazinha, afirmou que, no dia da morte do garoto, foi chamada com outras duas irmãs para ver o corpo de Daniel, ainda no hospital. "Não achei parecido com ele não. Estava inchado demais pra quem tinha acabado de morrer. Mas como o médico falou que era o corpo dele, eu e minhas irmãs acreditamos", contou, sem lembrar o nome do médico.
De acordo com a família, a notificação de óbito foi assinada por uma enfermeira. O nome dela e a documentação da época estão sendo averiguados pelo IJF. Conforme a Assessoria de Imprensa do hospital, o prontuário foi encontrado. Daniel deu entrada no hospital às 17h, do dia 29 de setembro, vindo do hospital de Canindé.
Apresentava 18% do corpo com queimaduras de 2º e 3º grau, com diagnóstico de grande queimadura (o mesmo que queimaduras graves), por conta da explosão de um cilindro de oxigênio em uma oficina perto da casa do garoto, em Lagoa do Mato.
O menino passou por quatro procedimentos denominados "terapias cirúrgicas", nos dias 30 de setembro, primeiro, quatro e seis de outubro. Na madrugada do dia oito, ele foi transferido do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu, às 7h15 da manhã. O prontuário não está assinado por nenhum médico ou enfermeiro, informou a Assessoria de Imprensa.
Após a constatação do óbito, a mãe de Daniel disse que recebeu a recomendação de não abrir o caixão. "Eles colocaram o corpo todo enrolado no caixão e não era para abrir de forma alguma, mas como o garoto era meu filho resolvi abrir e foi aí que tive essa surpresa. Não era meu filho", confirmou Maria Laura, também conhecida como "Loura", em Lagoa do Mato.
A confusão começou quando uma mulher chamada Cristina, namorada do caminhoneiro Ivan, e residente da cidade de Araçoiaba da Serra (SP), solicitou, por telefone, ao cartório de Lagoa do Mato, a 2ª via da certidão de nascimento de Daniel, para matricular o garoto, hoje com 15 anos, em uma escola no interior de São Paulo. Ela chegou a enviar R$ 35 para pagar as despesas com o despacho. Ontem, Cristina negou tudo à Rede TV, em São Paulo. Ela se recusou gravar entrevista, mas afirmou que Daniel está morto.
ILO SANTIAGO JR.
REPÓRTER
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