Em cada região do Estado, grandes empreendimentos, tanto públicos como privados, são a promessa para o desenvolvimento de polos regionais. Projetos que, se saírem do papel, têm tudo para levar ainda mais negócios e serviços por todo o Interior
Até bem pouco tempo, quando se falava em progresso no Ceará, era difícil pensar em outra cidade que não Fortaleza: capital do Estado, concentradora das principais empresas e instituições financeiras, cidade com o maior contingente populacional, oásis da prosperidade e da ascensão social.
Nos próximos dez anos, entretanto, essa lógica pode se inverter. Algumas das sementes para que isso aconteça já foram plantadas, e outras estão prestes a ser. Na última década, grandes obras estruturantes, como o açude Castanhão, o porto do Pecém e o Eixão das Águas & antigo Canal da Integração - abriram a perspectiva de surgimento e consolidação de novos polos de desenvolvimento. Por polos, entendam-se municípios que, dentro de uma região, se destacam em termos econômicos e sociais. ``Exatamente por isso, eles dão suporte aos demais integrantes da região a que pertencem``, explica Eloísa Bezerra, economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
Outros projetos prometidos há décadas - e todos os seus efeitos multiplicadores - podem, enfim, se tornar realidade, provocando o surgimento de uma cadeia produtiva sustentável em vários pontos do Estado. Entre esses empreendimentos destacam-se a refinaria e a siderúrgica, que deverão ser instalados no complexo portuário do Pecém e que, segundo o calendário dos governos federal e estadual, devem começar a funcionar a partir de 2013.
Nessa perspectiva, os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia terão condições ainda mais sólidas de atraírem uma série de investimentos e serviços que, na maioria das vezes, só chegam a Fortaleza.
Pelo Sertão
Saindo do litoral, outro investimento pode transformar o município de Santa Quitéria (a 222 km de Fortaleza) em outro polo importante de desenvolvimento. É a usina de urânio e fosfato de Itataia, que deve começar a operar em 2012. O empreendimento deverá impulsionar a produção de fertilizantes agrícolas, a partir do fosfato, e a geração de energia elétrica com o urânio. A previsão é que a operação do Consórcio Santa Quitéria - formado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pelo Grupo Galvani - quadruplique a produção de concentrado de urânio, usado na produção do combustível nuclear.
Quixadá, localizado no sertão central, é outra promessa de polo regional para a próxima década. Motivo: é detentora da única usina de biocombustíveis em funcionamento do Estado - a de Crateús foi desativada no final do ano passado -, matriz enérgica que promete ser uma das principais alternativas ao consumo do petróleo, combustível fóssil que, mais dia menos dia, se esgotará. Atualmente, a usina tem capacidade para refinar 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Número que pode aumentar, já que está prevista para agosto deste ano a ampliação da unidade.
Como destaca Eloísa Bezerra, outro polo regional que hoje já tem certo destaque e que poderá crescer ainda mais é o que engloba os municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, o chamado ``Crajubar``. Segundo Eloísa, o valor do PIB das três cidades corresponde a R$ 1,94 milhão ou 3,8% do PIB total do Ceará. Resultado puxado, principalmente, pela produção calçadista.
Limoeiro do Norte, que no período de 2002 a 2007 registrou um crescimento nominal acumulado em sua economia de 177,3%, é outra grande promessa de desenvolvimento regional para os próximos anos. ``Limoeiro do Norte destaca-se com os resultados do programa de irrigação que o tornou um dos principais produtores de frutas``, explica a economista do Ipece
. (Ítalo Coriolano)
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