21 de maio de 2010

Irã ameaça cancelar acordo


País afirmou que não estará comprometido com o acordo com o Brasil se novas sanções forem aprovadas

Teerã. O Irã pode cancelar um acordo fechado com Brasil e Turquia para transferir parte de seu urânio enriquecido ao exterior se o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar uma quarta rodada de sanções contra o país, afirmou ontem o destacado parlamentar iraniano Mohammad Reza Bahonar.
"Se o Ocidente emitir uma nova resolução contra o Irã, não continuaremos comprometidos com a declaração de Teerã, e o envio de combustível para fora do Irã será cancelado", afirmou.
A Rússia confirmou ontem que o Irã se prepara para inaugurar um longamente adiado reator nuclear construído pelo país europeu - uma iniciativa que provavelmente agravará os receios ocidentais de que a República Islâmica possa um dia tornar-se uma potência dotada de armas nucleares. Segundo Sergei Kiriyenko, diretor da corporação nuclear estatal russa Rosatom Corp., o reator na usina de Bushehr começará a operar no próximo mês de agosto.
Turquia, Brasil e Irã pediram a suspensão das negociações sobre mais sanções, em função do acordo. Mas críticos ocidentais descreveram o acordo fechado como nada mais que uma tática para evitar ou adiar a imposição de sanções.
As novas sanções ampliadas mirariam bancos iranianos e a inspeção de navios suspeitos de transportar cargas relacionadas aos programas nuclear ou de mísseis do Irã.
Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que aqueles que não aceitam o acordo nuclear do Irã "precisam ter inimigos". Segundo ele, sua ida a Teerã para discutir um acordo com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, foi uma contribuição ao multilateralismo que tem que ser levada em consideração.
"Fomos ao Irã e conseguimos após 18 horas de reunião fazer aquilo que o Conselho de Segurança da ONU queria que fosse feito há seis meses. E é muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a proposta, porque tem gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo, e eu sou daqueles que só sei fazer política construindo amigos", disse.
Lula declarou que fica "triste" porque o Brasil não consegue superar complexo de inferioridade e reclamou da "elite política" que escreve colunas nos jornais criticando sua interferência nas discussões de paz no Oriente Médio. "Temos uma parte da nossa elite política que escreve colunas nesse país e fica dizendo por que o Brasil tinha que se meter?", disse.
O presidente criticou o isolamento imposto ao Irã e a ameaça de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU.

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