7 de abril de 2010

Temporal leva caos ao Rio


Segundo balanço divulgado na noite de ontem pelo Corpo de Bombeiros, as chuvas já provocaram 103 mortes

Rio de Janeiro Bairros ilhados e sem energia. Órgãos públicos sem funcionar. Aeroporto fechado. Trânsito travado. Trens e metrôs parados. Estradas bloqueadas, aulas suspensas e mortes. Este é o triste resultado das fortes chuvas que atingiram o Estado do Rio de Janeiro desde a noite de segunda-feira e durante o dia de ontem.
Segundo balanço oficial divulgado na noite de ontem pelo Corpo de Bombeiros, as chuvas já provocaram 103 mortes. Outras 93 pessoas ficaram feridas em decorrência dos temporais e 1.400 estão desalojadas. A capital fluminense permanece em estado máxima de alerta.
Ainda de acordo com os bombeiros, há informações sobre desaparecidos, mas os números são imprecisos. Do total de mortos, 34 são da cidade do Rio e 41 de Niterói, na região metropolitana. Os demais mortos são dos municípios de Petrópolis, na região serrana; São Gonçalo, na região metropolitana; e Nilópolis e Paracambi, na Baixada Fluminense.
Na cidade do Rio, a Defesa Civil municipal já tinha atendido mais de 380 ocorrências até o início da tarde de ontem. De acordo com o subsecretário do órgão, coronel Sérgio Simões, a maior parte é referente a deslizamentos de terra, totalizando 180 ocorrências.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que "a situação ainda é muito critica. Há previsão de mais chuvas. Estamos monitorando constantemente e nossos homens estão nas ruas".
A média de chuvas na cidade bateu recorde. Foram 288mm, bem acima dos 245mm de 1996, 230mm de 1988 e 201mm de 1996, anos em que ocorreram grandes enchentes no Rio. Mais de 60 pontos de alagamento foram registrados em toda a cidade.
O prefeito destacou que a maré alta contribuiu ainda mais para agravar os alagamentos. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, a prefeitura afirmou que o nível da água, que geralmente é de 50 centímetros, chegou a atingir 1,4 metro na manhã de ontem.
Eduardo Paes lançou um apelo a todos os moradores de encostas na cidade: que deixem suas casas enquanto a chuva não passar.
Segundo ele, o temporal generalizou o risco de deslizamentos. O apelo foi reforçado pelo secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, que pediu às pessoas que saíssem de casa ao menor sinal de deslizamento e ligassem para o Corpo de Bombeiros ou para a Defesa Civil. "Sabemos que é triste perder suas coisas, mas pior é perder a vida", frisou.
Paes disse que o alerta vale não apenas para as famílias que vivem em áreas de risco, mas também para condomínios de renda mais elevada. Ele admitiu que o município não contava com uma chuva tão forte. Mais de 60% dos voos programados para o aeroporto Santos Dumont, no Rio, foram cancelados por causa da chuva, segundo a Infraero. Das 6h até às 17h, dos 114 voos previstos para o Santos Dumont, 30 atrasaram e 71 foram cancelados. Com o fechamento do Santos Dumont, o Aeroporto de Congonhas (São Paulo) acumulou filas de passageiros que tiveram as viagens canceladas.

ALERTA
Chuvas devem continuar

Os Estados Rio de Janeiro e São Paulo devem continuar a enfrentar tempo nublado e chuvoso pelo menos até esta quinta-feira, aponta previsão do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos). A intensidade das chuvas pode diminuir, mas o risco da ocorrência de problemas como deslizamentos permanece, já que o solo nestas regiões está muito encharcado. O sol só deve aparecer na região no domingo.
Segundo o meteorologista Gustavo Escobar, o encontro de uma frente fria - a primeira do outono- com o ar quente e úmido sobre os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo provocou a chuva intensa que cai desde a noite de terça-feira.
A frente fria funciona como uma rampa que, ao passar sobre a região, eleva o ar quente e úmido que encontra pela frente. Ao subir, esta umidade dá origem às nuvens carregadas e, na sequência, ocorre a chuva. "O ar sobre o Rio estava muito instável, ou seja, muito quente e carregado de umidade. A frente fria serviu como um gatilho que deu início à chuva´´, afirmou.
Em alguns pontos do Rio choveu em 24 horas mais do que o esperado para todo o mês de abril. Na região do aeroporto do Galeão, por exemplo, foram 163 mm entre as 9h de terça-feria e 9h de ontem. A média histórica de chuva para aquela área em abril é de 137 mm.
Segundo Escobar, o Sudeste ainda está na estação chuvosa e, por isso, é normal ocorrerem pancadas fortes. A chuva, no entanto, está acima da média.
Em fevereiro, o Cptec já havia previsto a possibilidade de chuva acima da média no trimestre março, abril e maio. Segundo o centro, o cenário decorre da manutenção das condições atmosféricas e oceânicas verificadas no verão.
O meteorologista informou que desde sábado a previsão já indicava a possibilidade de chuva forte sobre a região e que foram lançados avisos meteorológicos à Defesa Civil nacional.
José Henrique Prodanoff, professor do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Drhima) da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que um temporal como esse tem entre 1% e 2% de chance de voltar a se formar.


DN

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