6 de março de 2010

Frustrada entrega de assinaturas pró-estaleiro

A entrega de um abaixo-assinado com 3.000 assinaturas pró-estaleiro ficou para a próxima quinta-feira

Apesar de o governo estadual ter aguardado ontem, apoio formal ao projeto de instalação do estaleiro, por parte do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMF), vereador Salmito Filho, o fato não aconteceu. Isso porque, a entrega de um abaixo assinado de moradores do bairro do Serviluz, em apoio à instalação do empreendimento na Praia do Titanzinho, foi adiada para a próxima semana. Somente após o meio-dia é que houve comunicação formal de que teria ocorrido problema na agenda do parlamentar com os líderes comunitários.
No entanto, de acordo com Salmito Filho, na verdade, ocorreu engano de sua assessoria ao divulgar que a data do encontro com o governador Cid Gomes seria ontem. "Não era hoje (ontem), a nossa previsão é que ocorra na quinta ou sexta-feira da próxima semana. Houve um erro de comunicação da minha assessoria", justificou.
Embora o presidente da Câmara não tenha, segundo ele, atuação política na comunidade do Serviluz, que conta com uma população de 21 mil habitantes, Salmito afirmou que "há um sentimento positivo" no bairro, no que diz respeito ao estaleiro. "Lideranças comunitárias e parlamentares que atuam lá afirmam que a grande maioria é a favor do empreendimento", reforça o vereador. Sem querer precisar o número de nomes já colhidos para o Abaixo Assinado, Salmito disse: "Vamos conseguir o maior número de assinaturas", adiantou.

Moradores defendem
São muitos os comentários recebidos pela redação do Jornal de moradores que se colocam a favor do estaleiro. É o caso, por exemplo, de Renata Pompeu, que escreveu: "Sou a favor do estaleiro. Devemos construir sim e garantir emprego para os moradores da comunidade. Dessa forma, a Prefeita estará defendendo os interesses da população do local".
O leitor Lauro Veiga também se posicionou com relação ao empreendimento: "Sou a favor do estaleiro, pois aqui moramos há 42 anos e nunca fomos incluídos no processo de cidadania apregoado por políticos da hora. Nossos filhos não têm emprego, não temos saneamento básico, não temos urbanização, entre outras coisas".
Já Willames Moreira argumenta: "Temos que ver quais as melhorias e os impactos que o estaleiro irá causar. Mas acima de tudo, estaremos olhando para o pulo que nossa cidade irá dar com esse investimento e também será uma benfeitoria para o povo do local, pois se forem dadas essas oportunidades às pessoas, tenho certeza de que muitos irão em vez de roubar, trabalhar. Política sempre barra o avanço do nosso Estado. Já perdemos alguns investimentos, será que agora vamos perder esse também?".

Contraponto
Por outro lado, várias organizações populares da comunidade do Serviluz e escolas beneficentes assinaram carta aberta contrária à instalação do estaleiro, encaminhada por e-mail ao Jornal. No documento, em parte, eles argumentam que "o empreendimento trará impactos ambientais e sociais... Quanto aos impactos sociais, estes são óbvios - removerá famílias, afetará práticas esportivas e culturais, destruirá ainda mais a identidade e os laços comunitários, inclusive porque o governo aposta na divisão e no confronto na comunidade para fazer valer sua vontade", argumenta o texto enviado.
A carta é concluída exigindo o cumprimento da lei: "Pedimos à Prefeitura, à Câmara de Vereadores e ao Ministério Público que defendam o meio ambiente e os direitos conquistados pela comunidade. Estamos prontos para lutar pelo Serviluz que queremos", ressalta".

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