Todos querem evitar o desgaste de entregar o governo a um interventor federal, medida inédita na redemocratização
Brasília Em um dos raros momentos de união após a eclosão da crise do mensalão do DEM, políticos do governo e da oposição, dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário trabalham para evitar a intervenção no Distrito Federal.
As motivações são diversas, mas todos têm um objetivo em comum: evitar o desgaste de entregar o governo a um interventor federal, medida inédita desde a redemocratização.
Para a Procuradoria-Geral da República, autora do pedido, a política distrital está contaminada, incluindo o vice-governador Paulo Octávio (DEM), que assumiu o governo desde a prisão de José Roberto Arruda (sem partido), e a instância que deveria investigar as irregularidades -a Câmara Legislativa.
Ontem, o centro das atenções é a Câmara, uma vez que o presidente Wilson Lima (PR), amigo do governador afastado, seria o próximo na linha sucessória. Há deputados que defendem cassar três distritais: Leonardo Prudente (sem partido), Eurides Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC), filmados recebendo dinheiro.
Essa seria uma maneira de convencer o STF (Supremo Tribunal Federal) de que a Câmara não está comprometida e, portanto, que a intervenção é desnecessária.
O pedido da Procuradoria-Geral ocorreu na quinta passada, mesmo dia da prisão de Arruda, e não tem prazo para ser analisado.
Segundo a reportagem apurou, outros cinco deputados investigados pediriam afastamento. De concreto, os distritais prometem abrir hoje o processo de impeachment contra Arruda.
A missão de punir os distritais está no colo do deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), ex-secretário de Arruda.
Se o acordo na Câmara for adiante, setores da área jurídica também são contra a intervenção. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por exemplo, antes favorável à medida, diz agora que a intervenção pode ser "um remédio amargo demais´´, uma vez que a cidade "parece estar reagindo´´.
De acordo com o ex-presidente do STF Maurício Corrêa, o fato de os distritais estarem "reagindo´´ pode ser levado em conta pelos ministros.
Pela Lei Orgânica do DF, Wilson Lima (PR) e o vice Cabo Patrício (PT) poderiam assumir o governo. Para a Procuradoria, no entanto, a linha sucessória é ilegal ao incluir a figura do vice.
A intervenção é vista com relutância até mesmo dentro do governo federal, que seria o responsável por nomear o interventor. Em nome do governador interino Paulo Octávio, a Procuradoria-Geral do DF fará a defesa no Supremo contra a intervenção.
Apoio
Em busca de apoio, Paulo Octávio esteve em Goiânia, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Segundo Torres, ele pediu apoio para "continuar no governo". Ontem, Demóstenes reiterou que apresentará à Executiva Nacional três pedidos: a expulsão de Octávio, a intervenção no diretório local do DEM e a saída daqueles filiados que ainda ocuparem cargos no governo do DF.
18 de fevereiro de 2010
Poderes se unem para evitar a intervenção
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