10 de fevereiro de 2010

Dilma diz que vai comparar ´obra por obra´

A pré-candidata petista à presidência diz que vai insistir na comparação do governo de Lula com o de FHC

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência da República, ratificou ontem o discurso das comparações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em visita a obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Governador Valadares (MG), a ministra disse, se quiserem, vai comparar "obra por obra".
"Se quiserem comparar, nós vamos comparar. Número por número, casa por casa, obra por obra", afirmou Dilma, sem citar nenhum nome da oposição.
Segundo a ministra, "tem uma diferença muito grande desse governo em relação a qualquer momento da história recente deste país". "O Brasil cresce agora a favor do povo brasileiro e não contra o povo brasileiro, quando apenas poucos ganhavam", afirmou. "Nós temos orgulho do nosso governo e temos orgulho do líder que nos lidera nesse governo, que é o presidente Lula", afirmou a ministra.
A declaração de Dilma foi uma reação da crítica feita ontem por FHC sobre a liderança e a experiência da ministra. Ao participar ontem da inauguração da Biblioteca de São Paulo, obra do governo estadual, Fernando Henrique fez duras críticas a Dilma e a Lula, além de citar abertamente Serra como o candidato da oposição. "Pode até vir a ser, mas por enquanto ela não é líder. Por enquanto, é reflexo de um líder", disse FHC sobre Dilma.
Em seu discurso, Dilma lembrou que é mineira e tentou demonstrar simpatia durante sua fala. No entanto, cometeu duas gafes. Primeiro, confundiu-se e chamou Governador Valadares de Juiz de Fora, outra cidade mineira. Em seguida, referiu-se às obras de saneamento e habitação que a comitiva presidencial visitou na Vila Palmeiras dizendo que o local era Vila Palmares.

Dois palanques
Com a aliança nacional entre PT e PMDB praticamente consolidada para as eleições outubro, o ministro Tarso Genro (Justiça) admitiu ontem que Dilma Rousseff poderá subir em dois palanques nos Estados onde os partidos tiverem candidatos distintos aos governos locais.
Pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso disse que a eleição de Dilma deve ser "prioridade" do PT frente às eleições regionais. "A regionalização política é muito forte no Rio Grande do Sul. Isso não impede a possibilidade do PMDB apoiar a Dilma, que pode ter dois palanques lá. A política nacional não pode prescindir às regionais", afirmou.
Tarso Genro deixou o Ministério da Justiça ontem para se dedicar integralmente à campanha para o governo do Rio Grande do Sul. Seu cargo será ocupado pelo secretário-executivo Luiz Paulo Barreto.

EM CLIMA DE CAMPANHA
Lula afirma que fará sucessor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender ontem a continuidade de seu governo. Ele também disse estar certo de que conseguirá fazer seu sucessor na Presidência da República.
"Nós vamos fazer a sucessão neste país para dar continuidade ao que nós estamos fazendo, porque este país não pode retroceder. Este país não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo", disse o presidente durante inauguração de campus de uma universidade em Teófilo Otoni (MG).
A declaração do presidente veio depois dele enumerar uma série de ações de seu governo na área da educação e dizer que "não consegue resolver tudo em oito anos". Lula falou sobre as críticas que tem recebido sobre as viagens que tem realizado em ano de eleição. Ele disse que a oposição não tem discurso e por isso tenta impedir suas viagens pelo país para inaugurar obras e projetos.
"Quando um partido de oposição não tem o que propor, não tem discurso, fica difícil a situação e eles tentam impedir que o outro time jogue. Vou continuar viajando até 31 de dezembro, meia-noite. E vou fazer muita força para eleger minha sucessora, para depois ir para casa desligado e não dar palpite no governo", afirmou.
O presidente reiterou ainda que as viagens nem começaram. "Vou viajar muito mais". Ele destacou suas realizações e disse que vai trabalhar para fazer sua sucessão para que os trabalhos continuem.

Inveja
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) decidiu entrar no bate-boca entre o PT e o PSDB e acusou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter "inveja" de Lula, além de não ter "moral para falar mal" da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ao se referir ao pré-candidato do PSDB à presidência da República, Ciro xingou José Serra de "figura detestável". "A vaidade misturada com a inveja que o Fernando Henrique tem de Lula é que provoca isso", afirmou.

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