De acordo com especialistas, a falta de mão-de-obra qualificada pode travar o crescimento do país, que colhe os frutos de décadas de poucos investimentos em educação. Ou seja: a previsão de crescimento econômico de 6% para o próximo ano pode esbarrar na escassez de profissionais preparados em diversas áreas.
Em entrevista à JP, o especialista em relações do Trabalho da Universidade de São Paulo, José Pastore, alertou para o risco de um "apagão de profissionais especializados". Segundo Pastore, o problema começa na educação básica, que enfrenta sérios problemas para oferecer ensino de qualidade aos futuros profissionais. "Toda a vez que o país cresce 4,5% há falta de mão-de-obra qualificada", explicou o especialista.
Estudo realizado por pesquisadores da Unicamp, USP e Unesp, com 55 multinacionais no Brasil, revelou um grande problema enfrentado nas grandes empresas. Em entrevista ao repórter Wellington Mesquita, a pesquisadora Flávia Consoni, disse que as multinacionais têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados, já que máquinas modernas exigem profissionais capacitados para operá-las.
O crescimento da demanda por pessoas bem formadas decorre dos grandes projetos que estão sendo planejados para os próximos anos no Brasil. Para o diretor de educação executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa, Luca Borroni, é hora de recuperar o atraso em relação aos outros países.
A qualificação da mão-de-obra no Brasil tropeça num dado alarmante: o analfabetismo funcional ainda atinge 28% da população brasileira. Para a Organização das Nações Unidas, o analfabeto funcional é o indivíduo com menos de quatro anos de estudo completos.
15 de dezembro de 2009
Falta de mão-de-obra ameaça crescimento do país
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