Com valores abaixo do que o mercado esperava, certame negociou 753 MW médios de energia, no valor de R$ 19,59 bi
"Esse potencial deve consolidar o Estado como um grande parque eólico do País. O governo cearense, certamente, vai apoiar os empreendedores. Entretanto, pelo preço que foi negociado, será um desafio técnico executar os projetos", comentou Adão Linhares, conselheiro da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
Segundo ele, os valores praticados no leilão estão bem abaixo do que o setor esperou os preços variaram de R$ 131 a R$ 153 por MWh. A média foi de R$ 148,39 e o valor inicial para o leilão era R$ 189.
"O preço já estava baixo na saída e caiu a um valor comparável ao das usinas hidrelétricas. Todo o investimento dos projetos tem que ser considerado, como gastos de operação, manutenção e o custo financeiro. Por isso, acho que o preço é muito inferior ao que o mercado esperava. Há empreendimentos de empresas estatais, como EletroSul, Chesf e Petrobras e de grandes grupos privados, que têm outros mecanismos de financiamento mas, para os outros, o valor pode dificultar o empreendimento. Aqui mesmo no Ceará, muitas empresas habilitadas desistiram por não ver mais vantagens no preço", disse.
Marco
Para o conselheiro, a realização do primeiro leilão de energia eólica é um marco para o setor. "É um fator muito positivo e as coisas serão definidas como antes e depois do leilão. Vendo pelo lado do governo federal, creio que o preço praticado foi uma vantagem e não duvido que, já no 1º semestre de 2010 deve ser realizado o segundo leilão", opinou Linhares.
O 1º leilão de energia éolica adicionou 1.805,7 MW de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e negociou 753 MW médios de energia, no valor de R$ 19,59 bilhões, em 76 rodadas (75 uniformes e uma discriminatória).
No total, 71 usinas das regiões Nordeste e Sul saíram vencedoras. Além dos projetos cearenses e potiguares, 18 empreendimentos na Bahia (com total de 390 MW) oito do Rio Grande do Sul (186 MW) e um de Sergipe (30 MW) venceram .
O leilão ocorreu via Internet e negociou um produto, com início de suprimento em 14 de julho de 2012 e duração de 20 anos. "Este leilão comercializou três vezes a potência hoje instalada (602,28 MW). Isto mostra que a energia eólica tem enorme potencial para se inserir com força na matriz nacional", observou Antônio Carlos Fraga Machado, presidente do Conselho de Administração da CCEE.
GUTO CASTRO NETO
REPÓRTER
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