O secretário da Segurança tem evitado falar à Imprensa sobre a denúncia, mas já afastou cinco servidores
O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Monteiro, decidiu, ontem, afastar mais dois policiais civis que estão sendo investigados diante da denúncia de torturas contra quatro presos. Os inspetores Márcio Feitosa Garcia (30ºDP) e Carlos Daniel de Vasconcelos Scaliotti (DADT) foram tirados do serviço de investigação temporariamente e serão submetidos à sindicância pela Corregedoria Geral dos Órgãos da Segurança Pública.
Agora, já são cinco policiais afastados das funções pelo mesmo motivo. Na semana passada, Monteiro tomou decisão semelhante, afastando dos cargos os delegados Francisco Cavalcante e Maria Alexandra Medeiros, além do inspetor Fernando Cavalcante, esposo da delegada.
Em nota distribuída à Imprensa, no fim da tarde passada, a Assessoria de Imprensa da SSPDS não deu maiores detalhes sobre a decisão do secretário em afastar os dois inspetores, nem tampouco qual o grau de suspeita que paira sobre eles.
Estatuto
Conforme a nota, Roberto Monteiro afastou os dois policiais com base "nas acusações de suposta ação de tortura contra os presos Otacílio Siqueira Júnior (o"Júnior Paulista"), Gilson Lopes Justino (o "Meia-Luz"), Francisco Lopes Justino e Francisco da Silva Monteiro, acusados de assaltos.
Diz ainda a nota que, o secretário agiu de acordo com o que determina o Estatuto da Polícia Civil de Carreira. A reportagem do Diário do Nordeste esteve na sede da SSPDS, no fim da tarde passada, mas a informação recebida era de que o secretário não iria fazer declarações públicas acerca do fato.
O incidente entre os dois delegados afastados do cargo e o superintendente da Polícia Civil, delegado Luiz Carlos Araújo Dantas, já se arrasta pela terceira semana. Cavalcante e Alexandra alegam que foram afastados das funções pelo secretário da Segurança por este ter sido "induzido ao erro" por Dantas.
O superintendente, por sua vez, se mantém silente no episódio. Ele ainda não concedeu entrevistas acerca do caso, muito embora, em nota oficial distribuída aos órgãos de comunicação, na semana passada, tenha afirmado estar tomando "medidas judiciais" sobre o fato.
Ontem, o delegado Rodrigues Júnior, que preside o inquérito para apurar a denúncia de tortura, continuou tomando depoimentos na sede da Polícia Civil. Ao lado dele, durante os interrogatórios, esteve presente o promotor de Justiça, Francisco André Karbage Nogueira.
Na manhã de ontem, chegaram às mãos do delegado de Aquiraz, Moacir Maciel, cópias dos laudos dos exame de corpo de delito a que foram submetidos os quatro presos, depois que eles foram detidos no último dia 29. O flagrante contra os acusados foi iniciado na Delegacia Metropolitana do Eusébio, mas concluído em Aquiraz.
FERNANDO RIBEIRO
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