28 de janeiro de 2015

CORRUPÇÃO NA PETROBRAS É preciso saber punir, diz Dilma

Image-0-Artigo-1786936-1Brasília. Ao discursar na primeira reunião ministerial da nova gestão, a presidente Dilma Rousseff (PT) disse que é preciso "saber punir" sem enfraquecer a Petrobras e sem destruir empresas privadas. Ela afirmou que as punições não podem afetar o crescimento do País e os empregos, reiterando que quem deve ser punido são "pessoas".
"Ser capaz de combater a corrupção não significa, não pode significar, a destruição de empresas privadas. As empresas têm de ser preservadas. As pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas", disse a presidente.
No ano passado, porém, o governo conseguiu aprovar no Congresso a Lei Anticorrupção, que estipula punição às empresas por corrupção.
A Petrobras enfrenta o maior caso de corrupção de sua história desde a deflagração da Operação Lava-Jato, no ano passado. Ex-diretores e empreiteiros foram presos acusados de participar de um esquema de desvios envolvendo a estatal.
A presidente afirmou que a petroleira já vinha passando por um processo de "aprimoramento de gestão" e que a operação só reforçou a determinação da empresa de melhorar sua governança. "Temos que saber apurar, temos que saber punir. Isso tudo sem enfraquecer a Petrobras, nem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro do País".
Dilma insinuou, sem citar nomes, que a crise pode ser uma forma de prejudicar a estatal: "Toda vez que se tentou desprestigiar o capital nacional estavam tentando na verdade diminuir a sua independência, diminuir a sua concorrência e nós não podemos deixar que isso ocorra".
Dilma prometeu ontem que não irá transigir do compromisso com a "lisura do dinheiro público", do combate aos malfeitos e da atuação livre de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público, repetindo o mesmo tom de discurso adotado na campanha eleitoral de 2014.
"Nunca o governo combateu com tamanha firmeza e obstinação a corrupção e a impunidade", disse a petista. Para a presidente, as empresas privadas envolvidas na Operação Lava-Jato também não devem ter suas atividades prejudicadas.
Críticas
Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) afirmou ontem que a fala da presidente Dilma na primeira reunião ministerial mostra que a petista "tenta se defender da acusação de ter sido protagonista do maior estelionato eleitoral da história do país". Segundo o tucano, derrotado por Dilma na disputa eleitoral de 2014, a presidente faz um "jogo de cena", mostra "imensas contradições e improvisações dos últimos 30 dias", que ainda não se preparou para um segundo mandato e que "quem vai pagar a conta, mais uma vez, serão os brasileiros".
Lava-jato
A Justiça Federal em Curitiba atualizou ontem para R$ 118 milhões o valor bloqueado nas contas pessoais e de investimentos de 16 investigados e três empresas alvos da Operação Lava-Jato. No ano passado, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos decorrentes da operação, os ativos dos investigados foram bloqueados até o limite de R$ 20 milhões, para garantir o ressarcimento em caso de condenação. A atualização dos valores foi determinada pela juíza substituta Gabriela Hardt.
A Polícia Federal abriu novos inquéritos na Lava-Jato para investigar especificamente dez empresas supostamente envolvidas em fraudes na Petrobras. A informação consta de ofício encaminhado à Justiça Federal no dia 23 pela PF em Curitiba.

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