3 de abril de 2013

Perto de Cid, distante de Eduardo Campos


Presidente Dilma Rousseff recebe fartos elogios do governador cearense, enquanto seu colega pernambuco optou por linha mais comedida e crítica.
Dilma e Cid, troca de elogios se contrapondo à desconfiada distância de Eduardo Campos, presidente nacional do PSBO anúncio de novas medidas do governo federal contra a seca foi marcado pela troca de afagos entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Cid Gomes (PSB). Ambos ressaltaram por várias vezes o clima de parceria. Cid disse que as demandas do Ceará foram atendidas além do que ele imaginava. Já o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), adotou tom mais comedido e até de cobrança em alguns pontos. Cid citou como exemplos os benefícios do Garantia Safra e do Bolsa Estiagem para dizer que a presidente foi além do que estava sendo pedido. “Nunca vi presidente nenhum que tenha tratado com tanta atenção, presteza e solidariedade as demandas apresentadas por prefeitos, governadores e deputados em relação à seca”, afirmou o governador. Dilma retribuiu dizendo que Cid é “um grande parceiro do governo federal”. Segundo ela, obras de abastecimento de água do Ceará são apresentadas a outros estados como modelo. “O governo estadual e o governo federal têm um histórico de boas obras no currículo”, disse. As lisonjas culminaram, no fim do evento, com o anúncio da construção de um centro de treinamento de atletas para as Olimpíadas de 2016, a ser instalado ao lado do estádio Castelão. Será uma parceria entre os governos estadual e federal. Dilma disse que vai disponibilizar R$ 230 milhões para a obra. Ela fez questão de destacar que estava atendendo a um pedido de Cid. Além disso, prometeu R$ 277 milhões para a construção da ponte estaiada sobre o rio Cocó.
Campos faz contrapontos
Eduardo Campos, que vem se movimentando nos bastidores como possível candidato à presidência da República, citou várias dificuldades e disse que é preciso desburocratizar a relação entre governo federal, estados e municípios. “Precisamos de medidas administrativas que agilizem as obras necessárias”. Ainda pela manhã, ao ser questionado sobre o que havia avançado desde a última reunião com o governo federal sobre a estiagem, Campos respondeu: “O que avançou foi a seca”. Sobre os problemas na obra de transposição do Rio São Francisco, o governador criticou a falta de um projeto executivo quando do início da obra e disse que isso era a principal causa do aumento de gastos em relação ao orçamento inicial. Na reunião entre Dilma e os governadores, Campos pediu à Dilma para que fossem reduzidos os tributos para as companhias de água dos estados e lembrou que o governo federal já havia feito o mesmo com as distribuidoras de energia. Cid e outros três governadores apoiaram a ideia e Dilma ficou de analisar a proposta.
Bastidores
Dilma chegou a Fortaleza em companhia do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), do senador Eunício Oliveira (PMDB) e do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Ela foi recebida pelo prefeito Roberto Cláudio (PSB) e pelos senadores José Pimentel (PT) e Inácio Arruda (PCdoB).  De acordo com informações de bastidores, Eduardo Campos, durante a reunião, fez vários contrapontos às medidas apresentadas por Dilma, citando problemas de Pernambuco e frisando a necessidade de obras estruturais. À tarde, ao assinar a ordem de serviço para a construção da barragem de Lontras (no município de Croatá), Dilma disse: “Estou aqui ao lado de Cid Gomes, no Ceará, assinando uma obra de uma grande barragem que terá dinheiro do Governo Federal, para mostrar que estamos, sim, fazendo obras estruturais no Nordeste”. O coordenador da bancada federal cearense, Antônio Balhman (PSB), avaliou que as medidas apresentadas tendem a “diminuir bastante” as cobranças de prefeitos, governadores e parlamentares, acalmando, ao menos por enquanto, o ambiente político em relação à seca.  O deputado José Guimarães (PT) disse que as ações do governo terão impacto direto na economia e que os equipamentos entregues vão revolucionar a infraestrutura dos municípios, mudando a logística na hora de enfrentar a seca.

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