Um ex-sargento e um dono de posto de combustíveis estão entre os 26 presos acusados de tráfico de drogas em oito cidades, incluindo Fortaleza.Um jovem também foi apreendido. R$ 13 mil, 17 veículos, um revólver, 13 quilos de crack e maconha foram encontrados com eles.Um ex-policial militar e um empresário do ramo de combustíveis abasteciam a quadrilha de tráfico de drogas desarticulada pela operação “Depurare” na cidade de Granja (Zona Norte do Ceará), na noite da última quinta-feira, 7. A informação foi divulgada ontem pelos órgãos envolvidos na operação: Delegacia de Narcóticos (Denarc), Ministério Público do Estado (MP/CE) e Promotoria do município.Na ação, um adolescente foi apreendido e 26 pessoas foram presas, cinco das quais de uma mesma família paraense, acusada de gerenciar o comércio de entorpecentes na região. Mais quatro integrantes estão foragidos. Outras frentes de ação serão realizadas pelos três órgãos. Os perfis dos primeiros detidos foram divulgados ontem, em coletiva a imprensa. Quase todos tinham passagem pela Polícia. Parte da maconha e do crack vendidos em Granja por Antônio Nilson do Amaral de Sousa, o Júnior Roco, vinha de Fortaleza, segundo as investigações. O ex-sargento José Erisbelto de Aguiar Monteiro, conhecido como Nenem, é acusado de fornecer os produtos. O militar foi expulso da PM justamente por tráfico. Chegou a ser preso em 2004, mas estava em liberdade.
Roco é apontado como o líder do bando de Granja, ao lado do irmão, Adriano do Amaral de Sousa, o Didi. A mãe, Hilda Francisca do Amaral de Sousa, a Hilda Furacão, é acusada de esconder dinheiro e armamento numa casa a 40 km da cidade. Conforme as investigações, Roco também recebia apoio da irmã Antônia Bruna do Amaral de Sousa e do irmão Adeilson do Amaral de Sousa. Já a cocaína comercializada por Roco e Didi teria origem em Novo Oriente. O esquema funcionava assim, segundo a Polícia: Antônio Marcelino do Nascimento Filho, o Careca, recebia entorpecentes do patrão, o empresário José Aroldo Ximenes Coutinho, e repassava-os aos irmãos, que mantinham um comércio como fachada. Aroldo tem duas passagens pela Denarc (2004 e 2007) e uma pelo extinto Carandiru (SP). Segundo o titular da Denarc, delegado Pedro Viana, Roco revendia droga para pelo menos quatro municípios cearenses: Barroquinha, Camocim, Tianguá e Jijoca de Jericoacoara, onde o acusado de chefiar o tráfico no município - Façanha Torres da Cunha - foi preso. Outras localidades estão sendo investigadas. Roco teria contado com o apoio de assaltantes de bancos e até de um padeiro camocinence. Ele responde por dois latrocínios. “O Roco era muito temido. Mandava e desmandava em Granja. A população comemorou (a prisão). E ele também traficava armas. Mas a quadrilha tem mais do que esses presos”, cita Viana.
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