Todos os cuidados foram tomados: realizada a limpeza do quintal, os vasilhames foram tampados e não acumulavam água. Nos ralos, foram colocados protetores. Nos vasos e pratinhos de planta, areia armazenava a água que caía. Ainda assim, não teve jeito. A empregada doméstica Maria Vieira, conhecida como Vilanir, foi picada pelo mosquito Aedes aegypti e contraiu dengue. “Olha, não tem jeito. Aqui em casa, eu e minha patroa tomamos todos os cuidados. Mas se um vizinho deixa uma lata acumular água, o mosquito vai colocar os ovos e eles vão se desenvolver”. Vilanir não entende o motivo de haver ainda tantos casos notificados e registrados da dengue se a forma de prevenir é tão simples. Em resumo, o combate à proliferação da doença é evitar deixar água acumulada e fazer a vedação de recipientes em que seja necessário esse acúmulo, como caixas d’água, baldes, potes, entre outros. Somente até o dia 19 de maio deste ano, foram notificados 25.935 casos de dengue no Ceará, segundo a Secretaria da Saúde do Estado. Desses, 11.517 foram confirmados em 110 cidades do Ceará. As cidades de Fortaleza e do Crato lideram as estatísticas, com 9.894 e 840 casos confirmados, respectivamente. O combate ao mosquito se torna mais complicado, segundo informa Socorro Furtado, coordenadora das Ações de Controle de Endemias da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) porque um ovo do mosquito pode durar até 450 dias longe da água.
“Se o recipiente que o mosquito depositou os ovos no período chuvoso do ano anterior receber chuva este ano, o novo mosquito vai se desenvolver”, explica a coordenadora. Os cuidados para evitar o aparecimento do Aedes aegypti são muito simples, segundo a coordenadora. No entanto, se uma única pessoa em uma rua não tem essa preocupação, toda a vizinhança corre os riscos. Para Socorro, Fortaleza é uma cidade em que as pessoas não foram habituadas a ter noção de educação com as ruas. Assim, ela cita, é comum observamos alguém consumir um refrigerante ou um coco e jogar nas ruas o recipiente. “Porque ninguém acha que a rua é um ambiente comunitário, de todo mundo. Então, ninguém cuida”.Locais onde as pessoas geralmente não prestam atenção também exigem cuidados. Uma calha do teto, por exemplo, ou uma telha que acumule água, também podem ser ambientes perfeitos para o mosquito depositar os ovos. As telhas também devem estar levemente inclinadas, ao ponto de poder escoar a água. “Para se ter uma ideia, o mosquito coloca entre 60 a 100 ovos a cada três dias. E nunca num único recipiente. Sempre no máximo que puder”, destaca. Socorro Furtado dá dicas de como manter sua casa livre da dengue.
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