
A situação da falta de água para consumo humano já preocupa gestores de municípios do Interior. A suspensão da Operação Pipa em diversas cidades do Estado foi a principal reclamação de prefeitos, secretários municipais e coordenadores da defesa civil de 123 cidades do Ceará reunidos ontem em Fortaleza. O evento foi promovido pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), no auditório do Banco do Nordeste.
De acordo com representantes dos municípios, os carros-pipa são insuficientes para o atendimento. Além disso, poços profundos e açudes, que abastecem os caminhões, começam a secar.
Em Itatira, no Sertão Central, a água dos carros-pipa não chega há 30 dias, segundo a Prefeitura. Relatório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) aponta que a água para consumo animal dura até o fim deste mês. No município, as perdas alcançam 95,74% das plantações.
Em Choró, na mesma região, os caminhões que abastecem as cisternas passaram de 18 para dois, segundo a secretária-executiva da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. Segundo ela, o único açude que não secou foi cercado por moradores para evitar a retirada de água.
O secretário do Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins, disse que, a partir dos relatos, a situação hoje “já é muito grave nos vários municípios”. Nelson prometeu levar a situação ao conhecimento do governador Cid Gomes, que tem reunião marcada para hoje, em Brasília, com a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.
De acordo com Nelson, a situação é considerada grave em 99 municípios, segundo critério de avaliação do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
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