26 de agosto de 2011

Mário Negromonte denuncia deputado cearense e mais 17 do PP

Ministro das Cidades enfrenta crise em Brasília e dentro do próprio partido. Ameaça de queda continua.

Por: Márcio Dornelles

Em crise com seu próprio partido, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, revelou que muitos deputados do PP tem "folha corrida", remetendo ao passado dos colegas. Dos 41 deputados federais em exercício pelo partido, pelo menos 18 são citados em processos judiciais com suposto envolvimento em ilicitudes, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil. O deputado federal José Linhares está na lista, indiciado em inquérito movido pelo Ministério Público Federal (MPF).

"Imagine se começar a vazar o currículo de alguns deputados, ou melhor, folha corrida", disse Negromonte, na quarta-feira, ao "O Globo". Ameaçado em Brasília, o ministro é acusado por parlamentares do PP de oferecer um mensalão de R$ 30 mil para controlar a bancada.

A matéria está no "O Globo".

PP: 18 deputados respondem por irregularidades

Cleide Carvalho

SÃO PAULO

Dos 41 deputados federais em exercício do PP, 18 respondem ou responderam a processos na Justiça por algum tipo de irregularidade, segundo levantamento com base nos dados da ONG Transparência Brasil. Outros 19 tiveram nomes envolvidos em ilicitudes, mesmo que muitas vezes isso não tenha se transformado em processo. Em entrevista ao GLOBO, o ministro Mário Negromonte (Cidades), do PP, em crise com seu partido, disse que alguns deputados têm “folha corrida”.

LEVANTAMENTO: Confira a lista dos deputados do PP que respondem a processos

Em nome de Beto Mansur (SP), ex-prefeito de Santos, constam cinco inquéritos e uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), mais 35 processos no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Ele já foi condenado por uso de recursos públicos para promoção pessoal e autuado por exploração de trabalho escravo em Goiás.

Ex-governador e duas vezes prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (SP) foi alvo de ações por crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Nas eleições de 2010, tomou posse depois que o Supremo Tribunal Federal derrubou a Lei da Ficha Limpa.

Representante da bancada paulista, Aline Corrêa é alvo de ação penal no STF por falsificação do selo do IPI. Ela é filha do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), réu do mensalão.

Carlos Souza (AM) foi autuado por exploração de trabalho escravo e é alvo de inquéritos sobre abuso de poder político a crimes contra a administração da Justiça, além de tráfico de drogas.

O deputado Roberto Dorner (MT) é alvo de ação civil pública por danos ambientais. Na maioria dos casos, deputados do PP respondem por irregularidades cometidas quando ocuparam cargos públicos. Aguinaldo Ribeiro (PB) foi condenado a devolver dinheiro aos cofres públicos e teve direitos políticos suspensos, mas recorreu.

Carlos Magno (RO) foi acusado de usar em obra particular material e trabalhadores contratados para construir um teatro. No Paraná, Dirceu Sperafico (PR) responde por crime contra o patrimônio e apropriação indébita. Dimas Fabiano (MG) responde a ação de execução fiscal movida pelo município de Varginha e ação penal no TRE.

O ex-governador Espiridião Amin (SC) responde a oito ações civis públicas por danos ao erário e improbidade administrativa. Numa ação popular, foi condenado a devolver dinheiro às Centrais Elétricas de Santa Catarina, mas recorreu.

João Pizzolatti (SC) foi condenado a ressarcir dano causado ao erário. Recorreu. Também estão listados no site Transparência Brasil, por inquéritos por improbidade, José Linhares (CE), Renato Molling (RS) e José Otávio Germano (RS).

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