O Diário do Nordeste enviou cartas para cinco municípios, três delas chegaram depois do prazo previsto
Você já se sentiu lesado por causa de uma correspondência que chegou com atraso ou simplesmente não chegou? Segundo o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon-CE), esse tipo de reclamação é comum. Extravio, não pagamento de indenização, produto que não é entregue, demora a chegar, vem com danos ou incompleto, e cobranças indevidas lideram as queixas.
Para comprovar o tempo médio de entrega de uma correspondência, o Diário do Nordeste resolveu fazer um teste. Enviamos no dia 16 de agosto uma carta simples para correspondentes dos municípios de Crateús, Crato, Juazeiro do Norte, Quixadá e Limoeiro do Norte. Pelo serviço, o valor pago por cada carta foi de R$ 0,75. Algumas chegaram dentro do tempo previsto pelos Correios: dois dias. Outras, porém, apresentaram atraso de até sete dias.
A situação mais grave ocorreu no município de Quixadá, a 167 Km da Capital, onde a correspondência demorou nove dias para chegar. O mesmo trajeto, feito a pé, levaria um dia e 10 horas e, de carro, duas horas e 22 minutos. Os dados são do site GoogleMaps.
O correspondente Alex Pimentel relata que já teve vários problemas com entrega de cartas, inclusive com contas pessoais, como um cartão de crédito que não pagou, porque a fatura chegou com atraso, e depois teve de arcar com os juros. Ele procurou o gerente da agência, que disse que o problema é no contingente de funcionários.
A 13 Km do Crato, em Juazeiro do Norte, a correspondente Elizângela Santos afirma que, no município, uma carta simples demora até oito dias para chegar. A enviada por nós chegou no dia 23 de agosto, ou seja, cinco dias após o prazo previsto. Se a carta tivesse sido levada a pé, chegaria em quatro dias e quatro horas e, de carro, seis horas e 46 minutos. Elizângela afirma que, no geral, as correspondências são entregues no tempo regular. Para Melquíades Júnior, correspondente em Limoeiro do Norte, localizado a 198 Km de Fortaleza, o atraso também foi de cinco dias. A pé, o trajeto leva 1 dia e 19 horas, enquanto de carro, duas horas e cinquenta minutos. Melquíades conta que já teve problemas com contratos e contas de banco que atrasaram, porque a cobrança chegou depois da data de vencimento.
O correspondente informa que outras pessoas na região reclamam dos atrasos. "A gente percebe que eles acumulam a correspondência para entregar em grupo nas residências, o que acaba gerando um problema econômico, pois as empresas não aceitam como justificativa que houve atraso nos Correios", destaca o correspondente.
A primeira a receber a correspondência foi a jornalista Silvania Claudino, de Crateús, situado a 350 Km da Capital. Ela recebeu a carta no dia 18 de agosto, dentro do prazo previsto e disse que, apesar de não utilizar os serviços dos Correios com frequência, considera satisfatória a atuação do órgão em Crateús. "Sempre que envio algum documento ou encomenda, não observo demora no recebimento, mesmo quando se trata de uma carta simples", ressalta Silvania.Antonio Vicelmo, correspondente no município de Crato, a 588 Km da Capital, também recebeu a carta no prazo previsto, dia 18. Ele acredita que os serviços da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) com relação ao tráfego de correspondências melhorou. Diferente de quatro meses atrás, quando a demora era maior. "Na minha casa nós costumamos usar Sedex e não temos problemas".Para o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Ceará (Sintec-CE), a falta de funcionários é o que ocasiona o atraso nas correspondências. Lourdinha Félix, presidente do sindicato, afirma que a defasagem é de, pelo menos, 400 funcionários.Enquanto isso, os Correios realizaram concurso com 135 vagas, número que considera insignificante. Outra queixa que faz é com relação ao número de terceirizados, que segundo afirma corresponde a 50% dos quadro de funcionários.
Reclamações
Luís Carlos Ferreira Gomes, chefe do setor jurídico do Decon, esclarece que os usuários que se sentirem prejudicados deverão reclamar diretamente na agência onde aconteceu o problema e que a mesma terá que localizar a correspondência. Não obtendo sucesso, o consumidor deverá procurar o Decon. "É uma prestação de serviço como qualquer outra, que está dentro da nossa alçada", reforça.Em nota, os Correios informam que o atraso na entrega das correspondências são pontuais e que diariamente o órgão acompanha as estatísticas de distribuição.Segundo afirmam, os números mostram que não há problemas de atrasos generalizados no Ceará. A questão deve ser resolvida a partir do início das atividades dos 197 carteiros que deverão ser contratados até o fim do mês de outubro. Eles foram aprovados em concurso realizado neste ano.
DEMORA
2 Dias é o tempo previsto pelos Correios para entregar as correspondências ao destinatário. No entanto, o prazo dificilmente é cumprido no Estado do Ceará800 Mil é a quantidade de entregas realizadas pelos Correios, diariamente, por todo o território cearense, segundo informação divulgada pela assessoria de imprensa do órgão
LUANA LIMA
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