Comando Geral da PM admite a possibilidade de chefes do tráfico do Rio de Janeiro virem para o Ceará. Porém, diz já ter um plano para fechar as divisas do Estado. Até a Polícia Federal seria envolvida no esquema
Militares seguem ocupando o Complexo do Alemão, no Rio (AFP)
Comandantes de companhias e batalhões de todo o Estado, além do Comando de Policiamento do Interior (CPI) estarão presentes. Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foram convidadas e devem comparecer.A ideia é montar uma força-tarefa que terá como base o remanejamento de tropas para as divisas. “A gente tem que saber quem cuida da divisa X, quem cuida da divisa Y e quais viaturas serão deslocadas para, quando o comandante-geral ou o secretário mandarem fechar tudo, este mecanismo estar pronto”, disse ao O POVO o comandante-geral da PM, coronel William Alves Rocha, logo após a solenidade de lançamento da operação “Centro Seguro”, ontem, no Passeio Público.Esta é a primeira vez que o alto escalão da Polícia admite a possibilidade de traficantes virem para cá. E o receio é de que entrem não somente por Penaforte, município no extremo Sul do Estado, depois de passarem pelo Polígono da Maconha, no Sertão pernambucano. Há chances de ingresso no Ceará por Paraíba e, principalmente, Rio Grande do Norte, numa região chamada Mata Fresca (Aracati).Daí a necessidade de reforço nos destacamentos que demarcam territórios. “Ali (Penaforte) é só um dos calcanhares de Aquiles. Se ele vier pela mata, pode driblar as barreiras. Temos que pensar o Estado como um todo, porque não é obrigado ele (traficante) sair do Rio num ônibus direto para cá. Ele pode parar na Bahia e, de lá, ir para Natal. Depois, pega um carro e entra aqui”, exemplificou William.Até a Rodoviária Engenheiro João Thomé integra o plano. Segundo o coronel, revistas estão sendo feitas para flagrar quem eventualmente queira entrar dentro de baús. Para o comandante, uma medida de precaução. “Eles não são obrigados a vir em primeira classe. O camarada pode estar misturado com uma carga. Todas as possibilidades têm que ser pensadas”, ponderou.Por ora, William não avalia o envolvimento das Forças Armadas, como feito no Rio. Contudo, não descarta a possibilidade disto acontecer. “Se necessário, será num momento futuro”, ponderou.A discussão do “Cinturão de Divisas” acontece simultaneamente à ida do titular da Secretaria da Segurança, Roberto Monteiro, a Brasília para tratar do caos na capital fluminense. Ele só deve conhecer a estratégia do Ceará quando retornar, amanhã.
O plano está montado. E já tem até nome: “Cinturão de Divisas”. Para o Comando Geral da Polícia Militar do Ceará, representa o trunfo contra os chefes do tráfico do Rio de Janeiro que, por ventura, procurem abrigo no Estado diante das investidas dos militares nos morros cariocas.
Como sugere, a estratégia tem foco nas quatro linhas que separam o território cearense do Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Amanhã, a Operação será a pauta de uma reunião da cúpula da segurança pública local no auditório do Quartel do Comando Geral da PM.
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