12 de dezembro de 2010

PM acaba com farra de celulares

As autoridades tentam frear golpes que partem de dentro das cadeias, como sequestro virtual e transferência bancária

Oitenta e dois telefones celulares foram apreendidos, ontem, durante uma vistoria realizada por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar e agentes penitenciários do Grupo de Busca e Apreensão Penal, no antigo Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO I).
Além disso, a operação resultou na localização de 93 cossocos, alguns confeccionados em formatos e tamanhos de facas do tipo peixeira, 93 pedras de crack, duas trouxinhas de maconha, dez cachimbos para uso de crack, 12 chips para celulares, 30 carregadores, 23 baterias, 25 placas, redes e balanças.
O trabalho começou por volta das 9 horas de ontem, com a chegada de 60 homens do BPChoque, sendo 15 do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), 25 da Companhia de Controle de Distúrbios Civis (CDC), dez do Comando Tático Motorizado (Cotam) e dez do grupo Rondas Ostensivas com Cães (Roca). Os policiais entraram na unidade prisional e esvaziaram todas as celas, onde havia 415 detentos que cumprem pena em regime semiaberto.

Golpes
Segundo o capitão Antônio Cavalcante, comandante do Gate, todos os presos passaram por uma revista pessoal e, depois, colocados no campo de futebol. Em seguida, os agentes penitenciários entraram em ação. De cela em cela, vasculharam tudo. "Muito material é encontrado dentro das ´locas´, que são pequenas escavações que os presos fazem para esconder as armas, drogas e celulares", explicou o agente Fernandes.
Depois de mais de duas horas de trabalho, a vistoria foi concluída e todo o material apreendido colocado na entrada do presídio. Vários celulares tocavam enquanto os policiais contavam os objetos.
"Em muitos dos aparelhos, verificamos aquelas mensagens de texto falsas, que anunciam promoções ou prêmios. Eles (os detentos) enviam aleatoriamente as mensagens para dezenas de números de celulares e algumas pessoas respondem ou ligam de volta. Desta maneira, acontecem os golpes, partindo de dentro do presídio", explicou o coordenador do Sistema Penal, coronel PM Taumaturgo Granjeiro, que acompanhou de perto todo o trabalho.


NATHÁLIA LOBO
REPÓRTER

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