De 1980 até 2010 o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) notificou exatamente 12.062 casos de Aids no Ceará, somente este ano foram diagnosticadas 394 pessoas.
As informações são do Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), divulgado ontem, que classifica o Estado como terceiro em número de confirmações da doença em toda região Nordeste. A tendência de queda na incidência de casos de Aids em crianças menores de cinco anos que foi identificada no País, quando comparou-se os anos de 1999 e 2009, e chegou a 44,4% de redução, não foi verificada no Estado.
Para se ter uma ideia, em 2009 o Ceará confirmou 20 casos da doença em menores de 5 anos de idade, e registrou uma taxa de incidência de 2,6. Quando em anos anteriores, como em 2007 e 2008, essas notificações foram de 11 em cada ano, e uma incidência de 1,4. Quando avalia-se desde 1999, onde os registros equivaliam a 12, os resultados não pararam de subir, exceto em 2007 e 2008. No total foram notificados até hoje 222 pessoas com a doença nessa faixa etária.
Campanha
Como forma de prevenir e ao mesmo tempo sensibilizar a população da importância de usar a camisinha e fazer o teste de HIV - tendo em vista que, segundo o MS, dos cerca de 630 mil brasileiros que vivem com HIV em todo o País, 255 mil não sabem que foram infectados - é que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) organizou na Praça do Ferreira, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1º de dezembro, um dia cheio de atividades para marcar a data com informação, prevenção e sensibilização.
Neste ano, o foco foram os jovens, que representam a maior parcela entre as pessoas que vivem com o HIV, e na desconstrução do preconceito. É tanto que o público em sua maioria era de jovens, e homossexuais. O profissional do sexo, Wagner Freire, 32 anos, ficou bastante sensibilizado com a campanha, porém ressaltou que o quê estava sendo feito ontem, “deveria acontecer todos os dias. O preconceito ainda é muito forte na cidade, acham que nós travestis fazemos parte de um grupo de risco, quando na verdade, hoje isso não existe, todo mundo susceptível”, disse.
A coordenadora municipal de DST Aids e hepatites virais de Fortaleza, Renata Mota, informou que além das campanhas preventivas, a Secretaria de Saúde Municipal (SMS) está discutindo uma forma de se criar um rede integrada de internação. Isso porque, como foi enfatizado pela assistente social, e representante do Hospital São José (HSJ), Albaniza Leite, esse é um dos maiores problemas. “Hoje só quem interna a maioria desse pacientes somos nós”.
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