7 de dezembro de 2010

Aécio e Alckmin querem refundação do PSDB

O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito disse que não pretende ser o presidente do partido

São Paulo - O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu na tarde de ontem a refundação do PSDB, com atualização do programa partidário da legenda.
Após almoço com o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) na capital paulista, Alckmin pregou a união dos quadros da legenda e sustentou a necessidade do PSDB atuar como uma oposição propositiva e inteligente. "Nós vivemos momentos diferentes. O partido foi fundado na década de 80 e hoje nós estamos em um outro momento", disse o governador eleito. "Então, é importante atualizar o programa partidário (do PSDB) para fazer uma oposição propositiva, inteligente, que ajude o Brasil", completou.
"O nosso programa foi construído em cima de uma realidade que não é mais a do Brasil. Então, isso tem de ser visto de forma absolutamente natural", disse Aécio que sugeriu ao PSDB que o processo de refundação seja coordenado pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, pelo ex-governador José Serra e pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). "É fundamental que contemos para a reconstrução do projeto do programa partidário com as principais lideranças do partido", ressaltou, defendendo a unidade da legenda. "Nós sabemos que a nossa unidade é essencial para que nós possamos construir um projeto viável para o Brasil".
O senador eleito pelo estado de Minas Gerais pregou a defesa pelo PSDB do que chamou de "ideias novas", como uma economia sustentável, a profissionalização do setor público e a qualificação de jovens.
Em clima de coleguismo, os tucanos trocaram elogios entre si e minimizaram as recentes trocas de farpas entre integrantes do PSDB de Minas Gerais e de São Paulo. "Não há nenhuma divisão, estamos unidos para trabalhar pelo Brasil", disse Alckmin. O ex-governador de Minas Gerais retribuiu os afagos e considerou de "menor importância" as rusgas entre tucanos dos dois Estados. "É um prazer sempre muito grande conversar com Geraldo, o meu amigo de muitos anos. Uma das lideranças mais expressivas do PSDB", avaliou.

Presidência
O ex-governador de Minas garantiu que não é candidato à presidência do PSDB e, perguntado, disse que o nome do atual titular do posto, senador Sérgio Guerra (PE), é uma alternativa viável.
Questionado sobre o nome do ex-governador paulista José Serra para a posição, o tucano disse não ter veto a ninguém. "Tenho entusiasmo enorme em dar a minha contribuição, e meu primeiro gesto é este: eu não postulo nada. Eu vou ser senador, ajudando a reconstruir (o partido) e conversando com todo mundo que queira conversar comigo", disse.
Aécio Neves afirmou ontem ser contra uma antecipação da escolha do candidato do PSDB à sucessão presidencial em 2014 e defendeu, no lugar dessa discussão, um trabalho de refundação da sigla.
Após gravação de entrevista ao "Roda Viva", programa da TV Cultura, o tucano avaliou como um "desserviço" apontar um nome no momento atual, quando o necessário, segundo ele, é construir um "novo PSDB". "Acho que não temos de antecipar nada. Temos de trabalhar para continuar a ser a principal alternativa para esse modelo que está aí", disse o ex-governador de Minas.
"Escolher um nome agora é um desserviço a esse projeto. Eu acho que todos temos de trabalhar com muito desprendimento, construirmos um novo PSDB, de cara nova, revigorado". De acordo com o tucano, o desafio do PSDB é manter-se como "alternativa de poder". "Por isso insisti em falarmos muito da questão da sustentabilidade, do nosso novo programa. Temos um espaço enorme pela frente", afirmou.

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