4 de novembro de 2010

Migração preocupa governo

Cagece descarta possibilidade de colapso no fornecimento de água para a Capital e região metropolitana

De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel João Vasconcelos Sousa, a migração do agricultor para as cidades não se configura em um problema de emergência, mas é um alerta às autoridades para o agravamento da crise na zona rural do Ceará.
“Nós sabemos que são as grandes cidades do Interior e, depois, Fortaleza, a receber os primeiros retirantes. Não queremos isso e sabemos que o cearense, assim como os demais nordestinos, já se acostumou com as adversidades provocadas por um ano ruim em termos de chuvas”, afirmou o militar.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação no tocante à seca que atinge o Interior, o Governo do Estado do Ceará decretou, somente neste ano, situação de emergência em 79 de seus 184 municípios.
De acordo com a Defesa Civil do Estado, o governo atribui a irregularidade das chuvas – 40% menores que a média do semestre – ao fenômeno climático El Niño, ocasionado pelo aquecimento das águas do Pacífico. O órgão afirma que os açudes do Estado foram abastecidos com as chuvas de 2009, mas a quantidade de água não foi suficiente para o consumo deste ano. Hoje, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) estima em 60% a capacidade de reserva nos principais reservatórios do Estado.
A expectativa é de que haja uma recarga considerável no próximo ano, embora a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) afirme que ainda é cedo para emitir um prognóstico da próxima quadra chuvosa.
Enquanto isso, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informa que não há possibilidade de colapso no fornecimento de água para Capital e região metropolitana, haja vista que os reservatórios principais do Estado estão com uma capacidade de cerca de 60%.
O coordenador técnico da Cagece, José Airton Pereira Lima, afirma que não há possibilidade de se cogitar racionamento de água, mesmo já se tendo verificado um aumento no consumo. Nesse caso, trata-se de um crescimento já esperado, uma vez que os últimos meses são os mais quentes e a população utiliza mais água.
Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), os grandes afetados pela seca serão os pequenos agricultores, pois eles não têm água armazenada e, por isso, devem enfrentar uma situação crítica durante a seca.
Já os agricultores que trabalham com a exportação de seus produtos não devem sentir tanto a seca no Ceará, pois eles têm grande quantidade de água armazenada em reservatórios.
Segundo o presidente da Faec, Flávio Saboya, desde que o Governo do Estado decretou situação de emergência em 79 municípios do Ceará era importante que o governo federal desse algum suporte para os agricultores. “Neste ano, a situação está critica, inclusive para os agricultores do litoral do nosso Estado”, diz Saboya.


DN

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