2 de outubro de 2010

Processo de Tuma Junior é arquivado

Tuma Junior havia deixado o cargo após denúncias de que estaria envolvido com a máfia chinesa em São Paulo

Brasília - A Comissão de Ética da Presidência arquivou a investigação aberta em maio deste ano contra o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Romeu Tuma Junior. O arquivamento ocorreu em sessão do dia 17 de setembro, mas não foi divulgado pela comissão.

Tuma Junior deixou o cargo federal depois de denúncias de que estaria envolvido com a máfia chinesa em São Paulo. Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal em investigações sobre contrabando ligariam o ex-secretário ao mafioso chinês Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li. Em setembro do ano passado, o mafioso chinês foi denunciado por importação ilegal de celulares e preso pela Polícia Federal.

Na época de sua demissão, Tuma Junior admitiu ter relações com Paulo Li, mas negou irregularidades. Seu nome apareceu em gravações telefônicas e e-mail monitorados pela PF. As conversas sugeriam que Tuma Junior era cliente da máfia chinesa e teria recebido ligação de Li quando este foi preso. Tuma teria ligado para Superintendência da PF em São Paulo e pedido para ser ouvido.

A investigação levantava suspeitas de que Tuma Junior ajudou Paulo Li a regularizar a situação de imigrantes ilegais e interveio para liberar mercadoria apreendida. Nas gravações, Tuma Junior tratava da compra de um celular e de videogame. Li também foi assessor de Tuma Junior quando ele era deputado estadual.

Tuma Junior alegou que as acusações tinham cunho "político" e que teriam a intenção de "desmoralizá-lo" no momento em que acabara de assumir o comando do Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

Em nota, o ex-secretário disse que a decisão de arquivar as investigações foi tomada por unanimidade. Ele ressaltou ainda trechos da decisão do relator do procedimento na comissão, Humberto Gomes de Barros, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça. "Malgrado a volumosa documentação trazida a exame, nenhum dos deslizes éticos apontados contra o Dr. Romeu Tuma Junior foi comprovado", disse Barros no documento que determina o arquivamento do procedimento contra o ex-secretário. No parecer, Gomes de Barros disse, segundo Tuma Junior, que "o acusado não merece qualquer das sanções cominadas pelo Código de Conduta".

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