
Saída dos homens soterrados no Chile deve começar à meia-noite de terça para quarta-feira; ações foram ensaiadas
Copiapó. O revestimento do túnel pelo qual os 33 mineiros chilenos presos desde 5 de agosto na mina de San José, em Copiapó (Chile), devem ser resgatados, foi concluído ontem.
O túnel deve conduzir os mineradores até a superfície com 15 canos de aço, de seis metros cada, ou seja, os primeiros 90 metros da passagem, que tem 622 metros de profundidade e 66 centímetros de diâmetro.
Com o auxílio de helicópteros da Força Aérea chilena, as equipes de resgate ensaiaram as manobras de salvamento dos trabalhadores.
O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, disse que já estão definidos os nomes dos quatro mineradores que serão resgatados primeiro, com base nos seguintes critérios: primeiro sairão os mais hábeis, para que possam enfrentar eventuais imprevistos, em segundo os mais debilitados e, por último, os mais fortes. A lista não será divulgada e o primeiro a subir será escolhido na última hora, de acordo com o ministro chileno.
A perfuradora petrolífera está a ponto de chegar à galeria onde se encontram os mineradores, o que irá proporcionar uma via alternativa para o resgate caso exista alguma dificuldade com a primeira opção.
O resgate vai começar à meia- noite de terça para quarta-feira. "Foi realizada uma prova com a cápsula Fênix 1 chegando até os 610 metros e foi introduzido com os sistemas de içamento e um guincho improvisado e baixamos a Fênix a este nível", afirmou Mañalich.
Desafios
A saída dos mineiros à superfície deve enfrentar uma série de dificuldades. Se os operadores do guindaste conseguirem manter a velocidade média em 1 metro por segundo (3,6 Km/h), a "viagem" deve demorar 12 minutos.
No entanto, o poço não foi escavado na vertical, como acontece em um elevador comum, e sim em um ângulo de 10º (para evitar possíveis desabamentos). Assim, será como se alguém subisse em um elevador com o poço "torto".
Para piorar, a ascensão acontecerá em condições claustrofóbicas: a cápsula de transporte tem só 53 cm de diâmetro e o ombro do mineiro mais largo mede 51 cm. Some-se a isso o fato de que será esta a primeira vez em que um mineiro ficará só desde o dia em que foi soterrado.
"Lá, apesar de tudo, eles estão sumamente protegidos, monitorados. Será a primeira vez que estarão sozinhos. Na ascensão, podem sofrer baixas de pressão arterial, ter embolia pulmonar, náuseas, podem desmaiar", afirmou Mañalich.
A chance de um mineiro dentro da Fênix desmaiar com a cápsula enganchada em alguma saliência da rocha é o terror da operação. É que a Fênix compõe-se de dois módulos acoplados. O primeiro tem formato de proa, para abrir caminho, e é hermeticamente fechado.
O segundo módulo, o de baixo, é onde irá o passageiro. É nela que ficam as manoplas que comandam a desacoplagem dos dois módulos e a lenta descida do módulo habitado de volta à mina. Para isso, é essencial que o passageiro esteja lúcido.
Paramédicos e especialistas em resgate que descerão até onde estão os mineiros, para fazer a avaliação final do quadro físico e psicológico dos homens.
Como será o resgate
1- Duas pessoas descem até o fundo da mina em uma cápsula para ajudar os mineiros no processo de saída
2- Mineiros são içados na cápsula de um por um. Eles receberão luvas, água e óculos escuros especiais. A saída de cada um deve demorar de 15 minutos a duas horas
3- Cada mineiro que sair à superfície será recebido por médicos e paramédicos que lhe dará assistência médica rápida em uma tenda
4- Após verificar que o mineiro está em boa condição física, ele será levado para o encontro da família em um local reservado
5- Depois, os mineiros serão transportados de helicóptero ao hospital público de Copiapó
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