9 de outubro de 2010

Aborto domina propaganda

Dilma não mencionou a palavra aborto e disse que faz campanha em defesa da vida. Serra fez críticas à petista

São Paulo.
A volta da propaganda eleitoral na TV trouxe Dilma Rousseff (PT) reforçando seu discurso de defesa à vida e ressaltando a figura da mulher, enquanto José Serra (PSDB) atacando a adversária e afirmando que sempre condenou o aborto.
Dilma iniciou sua fala agradecendo a Deus - buscando mostrar que não está disposta a abraçar causas que contrariam o eleitorado religioso - pelos votos que recebeu. Apesar de não mencionar a palavra aborto a candidata afirmou que faz "uma campanha em defesa da vida".
Dilma diz que está "sofrendo na pele uma das campanhas mais caluniosas", em referência aos ataques que recebe há algumas semanas pela internet que colocam em dúvida sua posição de "boa cristã" e uma suposta disposição da candidata de relaxar com a questão do aborto, assunto que provoca urticária no eleitorado religioso.
O programa da candidata afirma que "uma corrente do mal tem usado a rede para espalhar mentiras contra a Dilma" e pede para quem receber "algo assim" que envie "uma mensagem de amor para quem lhe enviou a mentira".
Dilma ganhou afagos de governadores eleitos da base aliada que tiveram votações expressivas no dia 4 de outubro. São eles: Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA), Sérgio Cabral (RJ) e Tarso Genro (RS).
Já o programa de José Serra teve início com um discurso onde "congratulou" Marina Silva (PV) pela votação, de olho no apoio da candidata que obteve 20% dos votos primeiro turno. Ainda na tentativa de agradar Marina para receber seu apoio, Serra coloca em seu discurso "o respeito à vida e ao meio ambiente".
Ao falar sobre sua biografia, o programa do candidato ataca Dilma diretamente. Ao final de cada frase que ressalta o mérito de Serra surge o comentário "diferente do PT da Dilma".
Serra condena o aborto e defende seu programa "Mãe Brasileira", e afirma que não vai "andar de braços com governos que apedrejam mulheres e tem tendência à ditadura", em referência ao apoio ao Irã.

Manifesto
A coligação da candidata petista lançou um manifesto no qual recomenda militância repúdio a exploração da religiosidade do eleitorado. ´Repudiamos os que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais´.

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