16 de setembro de 2010

Serra ameaça parar entrevista

O tucano ficou irritado com as perguntas insistentes de jornalista sobre pesquisas e quebra de sigilos fiscais

São Paulo. O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ameaçou interromper ontem entrevista à rede CNT. No intervalo do primeiro para o segundo blocos, Serra reclamou, irritado, da insistência em perguntas sobre pesquisas de opinião e quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.
Dizendo-se sufocado, Serra chegou a tirar o microfone de lapela a pretexto de buscar um refrigerante sem gelo fora do estúdio. "Não vou dar essa entrevista, você me desculpa", disse Serra repetindo que, se a pauta se restringia às perguntas do primeiro bloco, a entrevista estava concluída. "Faz de conta que eu não vim". O diretor de jornalismo da emissora, Domingos Trevisan, foi obrigado a intervir e entrar no estúdio no momento de prenúncio de um bate-boca entre Serra e a apresentadora Márcia Peltier. Serra concluiu o primeiro bloco afirmando que os dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB saíra do comitê de Dilma Rousseff (PT). "Isso foi montado".
Supondo que o candidato se referia à entrevista, a apresentadora reagiu: "Montado para quem? Aqui não tem isso". Foi aí que Trevisan entrou no estúdio. "Se a entrevista é essa, não preciso mais ficar", disse Serra.
Como a pauta acertada era de política e economia, Trevisan alegou que haveria outros três blocos, convencendo o candidato a permanecer. No rompante, Serra acusou Peltier de reproduzir o argumento petista de que a quebra de sigilo de sua filha ocorrera antes do início oficial da campanha. Incomodado, perguntou se Dilma também concederia a entrevista. E sugeriu que dirigissem as perguntas à adversária petista. Serra -que chegou à emissora reclamando de mal-estar- tirou fotos ao lado de Peltier ao fim da entrevista. Como maior parte da discussão foi travada durante o intervalo, apenas parte dela foi levada ao ar no programa exibido às 22h50min de ontem.

Demissão de culpados
O candidato José Serra, defendeu ontem durante a entrevista para a CNT, a demissão do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, e do corregedor-geral da instituição, Antonio Carlos Costa D´Ávila, pelo episódio do vazamento de dados fiscais sigilosos de contribuintes.
O tucano afirmou que se estivesse no lugar do presidente Lula já teria dispensado os dois por considerá-los responsáveis pela quebra de sigilo. "Eu teria demitido o secretário e o corregedor da Receita. Eles são não só os responsáveis como também têm ocultado provas sistematicamente. Eu começaria por aí". Serra acusou o governo de "passar a mão na cabeça" dos que cometem irregularidades no País e disse que a demissão da cúpula da Receita serviria de exemplo.

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