O funcionário da Receita no interior de Minas acessou os dados de Eduardo Jorge dez vezes em um minuto
Brasília - O analista tributário Gilberto Souza Amarante, que trabalha para a Receita Federal no interior de Minas Gerais e acessou dez vezes os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amarante é um dos 276 filiados do PT que votam na cidade de Arcos, vizinha ao município mineiro de Formiga, onde o analista acessou, no dia 3 de abril de 2009, o CPF de Eduardo Jorge dez vezes em menos de um minuto.
A identificação de Amarante foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo com base no número do título de eleitor e do registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do analista tributário. A situação do registro de filiação de Amarante é classificada como "regular" pelo sistema do TSE. O servidor do Fisco vota na 18ª zona eleitoral, na seção 35, que fica na Casa de Cultura de Arcos. A agência da Receita Federal responsável pela região do município de Arcos é sediada em Formiga e está subordinada à Delegacia de Divinópolis, a 124 quilômetros da capital Belo Horizonte (MG).
Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não tem negócios nem imóveis na cidade mineira de Formiga, o que reforça a suspeita de violação de seus dados pelo analista.
Os acessos feitos a partir do computador no interior de Minas aconteceram seis meses antes do início da série de violações de sigilos fiscais de dirigentes tucanos e da filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.
Os dados fiscais de Verônica foram obtidos pelo contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que era filiado ao PT quando usou uma procuração forjada para acessar os dados da filha do ex-governador de São Paulo. O PT afirma que o pedido de filiação de Atella não foi concluído, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou o registro da filiação.
Os acessos aos dados de Eduardo Jorge pelo analista de Formiga foram identificados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que a pedido da Receita fez uma "Apuração Especial", relacionando todas as consultas envolvendo o CPF do vice-presidente do PSDB no período de 2 de janeiro a 19 de junho de 2009.
Todos os acessos aconteceram em questão de segundos. De acordo com o documento obtido pelo jornal paulista, o primeiro acesso aos dados de Eduardo Jorge aconteceu às 16h32m18s. O último ocorreu às 16h32m59s. Todas as consultas foram feitas pelo mesmo usuário, a partir de um único computador.
Além de Eduardo Jorge e Verônica Serra, os sigilos fiscais de outros tucanos também já foram violados por servidores da Receita.
"DESCONTROLE DE GESTÃO"
Marina Silva critica vazamentos
Rio Branco - A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, voltou ontem a condenar o episódio sobre o vazamento de sigilos fiscais de 140 pessoas e criticou o que chamou de "descontrole na gestão pública". "É isso que dá quando não se tem transparência, se banaliza o dolo", disse a candidata em evento de campanha em Rio Branco, no Acre.
Marina comentou ainda a revelação de que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teve seus dados acessados cerca de dez vezes de uma agência da Receita em Formiga (MG).
"Antes de ficar com uma preocupação individual, tenho a preocupação institucional como senadora, como candidata e cidadã, de que se investigue e que possa se punir os culpados, que se assumam responsabilidades com esse descontrole na gestão pública. Aos poucos se está descobrindo que existe muito ´pé de barro´ na gestão pública", afirmou.
Marina voltou a dizer que a situação é uma repetição ampliada do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa, que culminou com a queda do ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Se fosse em qualquer outro país, na Europa ou nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda já estaria dando explicações ao Congresso. Lamentavelmente aqui está sendo tratado como brincadeira", disse, ao citar o discurso de Mantega sobre o episódio. Na última sexta (3), o ministro disse que vazamento "sempre ocorreram" e explicou que o sistema da Receita não é "inviolável".
Na opinião da candidata, o vazamento do sigilo fiscal é um sintoma da falta de transparência e descontrole da gestão pública, embora tenha evitado generalizar a questão. "Aos poucos, a falta de transparência e a falta de profissionalização do Estado vai se revelando no grande ´pé de barro´ daqueles que pensam que é apenas o poder pelo poder", enfatizou.
Apesar do episódio, Marina disse que manterá sua campanha no nível da discussão de propostas e que não fará "acusações levianas". "Eu quero ganhar as eleições com as instituições. Para que as instituições funcionem, é fundamental o respeito à lei, o respeito ao cidadão e que a gestão pública não fique banalizada pelos erros cometidos que vêm se repetindo", afirmou a candidata.
REPERCUSSÃO
´É o DNA do PT´, diz Serra
São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem não ter dúvidas sobre o envolvimento do PT no escândalo de quebra de sigilos na Receita Federal.
Ao ser questionado sobre se a informação de que um analista de Minas Gerais suspeito de ter acessado os dados fiscais do tucano Eduardo Jorge dez vezes é filiado ao PT mostra a atuação do PT no episódio, ele disse: "Não tenho dúvidas. Isso é DNA do PT. Mas não quero ficar neste domingo de natureza cultural me aprofundando neste assunto", disse o candidato.
A filha de José Serra, Veronica, também teve seu Imposto de Renda acessado por meio de uma procuração falsa. O procurador pediu filiação ao PT de Mauá, na Grande São Paulo em 2003. O partido diz que a filiação não foi efetivada. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) afirma que houve registro de filiação.
O candidato ainda criticou a principal adversária, a petista Dilma Rousseff, por não falar sobre o escândalo. Ao comentar as declarações do presidente Lula, que questionou a existência de quebra de sigilos, Serra que Dilma era quem deveria se manifestar, não o presidente da República em seu nome.
Brasília - O analista tributário Gilberto Souza Amarante, que trabalha para a Receita Federal no interior de Minas Gerais e acessou dez vezes os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amarante é um dos 276 filiados do PT que votam na cidade de Arcos, vizinha ao município mineiro de Formiga, onde o analista acessou, no dia 3 de abril de 2009, o CPF de Eduardo Jorge dez vezes em menos de um minuto.
A identificação de Amarante foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo com base no número do título de eleitor e do registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do analista tributário. A situação do registro de filiação de Amarante é classificada como "regular" pelo sistema do TSE. O servidor do Fisco vota na 18ª zona eleitoral, na seção 35, que fica na Casa de Cultura de Arcos. A agência da Receita Federal responsável pela região do município de Arcos é sediada em Formiga e está subordinada à Delegacia de Divinópolis, a 124 quilômetros da capital Belo Horizonte (MG).
Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não tem negócios nem imóveis na cidade mineira de Formiga, o que reforça a suspeita de violação de seus dados pelo analista.
Os acessos feitos a partir do computador no interior de Minas aconteceram seis meses antes do início da série de violações de sigilos fiscais de dirigentes tucanos e da filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.
Os dados fiscais de Verônica foram obtidos pelo contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que era filiado ao PT quando usou uma procuração forjada para acessar os dados da filha do ex-governador de São Paulo. O PT afirma que o pedido de filiação de Atella não foi concluído, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou o registro da filiação.
Os acessos aos dados de Eduardo Jorge pelo analista de Formiga foram identificados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que a pedido da Receita fez uma "Apuração Especial", relacionando todas as consultas envolvendo o CPF do vice-presidente do PSDB no período de 2 de janeiro a 19 de junho de 2009.
Todos os acessos aconteceram em questão de segundos. De acordo com o documento obtido pelo jornal paulista, o primeiro acesso aos dados de Eduardo Jorge aconteceu às 16h32m18s. O último ocorreu às 16h32m59s. Todas as consultas foram feitas pelo mesmo usuário, a partir de um único computador.
Além de Eduardo Jorge e Verônica Serra, os sigilos fiscais de outros tucanos também já foram violados por servidores da Receita.
"DESCONTROLE DE GESTÃO"
Marina Silva critica vazamentos
Rio Branco - A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, voltou ontem a condenar o episódio sobre o vazamento de sigilos fiscais de 140 pessoas e criticou o que chamou de "descontrole na gestão pública". "É isso que dá quando não se tem transparência, se banaliza o dolo", disse a candidata em evento de campanha em Rio Branco, no Acre.
Marina comentou ainda a revelação de que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teve seus dados acessados cerca de dez vezes de uma agência da Receita em Formiga (MG).
"Antes de ficar com uma preocupação individual, tenho a preocupação institucional como senadora, como candidata e cidadã, de que se investigue e que possa se punir os culpados, que se assumam responsabilidades com esse descontrole na gestão pública. Aos poucos se está descobrindo que existe muito ´pé de barro´ na gestão pública", afirmou.
Marina voltou a dizer que a situação é uma repetição ampliada do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa, que culminou com a queda do ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Se fosse em qualquer outro país, na Europa ou nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda já estaria dando explicações ao Congresso. Lamentavelmente aqui está sendo tratado como brincadeira", disse, ao citar o discurso de Mantega sobre o episódio. Na última sexta (3), o ministro disse que vazamento "sempre ocorreram" e explicou que o sistema da Receita não é "inviolável".
Na opinião da candidata, o vazamento do sigilo fiscal é um sintoma da falta de transparência e descontrole da gestão pública, embora tenha evitado generalizar a questão. "Aos poucos, a falta de transparência e a falta de profissionalização do Estado vai se revelando no grande ´pé de barro´ daqueles que pensam que é apenas o poder pelo poder", enfatizou.
Apesar do episódio, Marina disse que manterá sua campanha no nível da discussão de propostas e que não fará "acusações levianas". "Eu quero ganhar as eleições com as instituições. Para que as instituições funcionem, é fundamental o respeito à lei, o respeito ao cidadão e que a gestão pública não fique banalizada pelos erros cometidos que vêm se repetindo", afirmou a candidata.
REPERCUSSÃO
´É o DNA do PT´, diz Serra
São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem não ter dúvidas sobre o envolvimento do PT no escândalo de quebra de sigilos na Receita Federal.
Ao ser questionado sobre se a informação de que um analista de Minas Gerais suspeito de ter acessado os dados fiscais do tucano Eduardo Jorge dez vezes é filiado ao PT mostra a atuação do PT no episódio, ele disse: "Não tenho dúvidas. Isso é DNA do PT. Mas não quero ficar neste domingo de natureza cultural me aprofundando neste assunto", disse o candidato.
A filha de José Serra, Veronica, também teve seu Imposto de Renda acessado por meio de uma procuração falsa. O procurador pediu filiação ao PT de Mauá, na Grande São Paulo em 2003. O partido diz que a filiação não foi efetivada. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) afirma que houve registro de filiação.
O candidato ainda criticou a principal adversária, a petista Dilma Rousseff, por não falar sobre o escândalo. Ao comentar as declarações do presidente Lula, que questionou a existência de quebra de sigilos, Serra que Dilma era quem deveria se manifestar, não o presidente da República em seu nome.
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