Um homem que presenciou o momento do disparo revelou como estava o policial quando sacou a arma e atirou
"O soldado do Ronda desceu da viatura, ficou do lado direito do veículo (Hilux), sacou a pistola com a mão direita e atirou, apontando a arma para a frente, com o braço esticado, na posição horizontal. Ele não estava apontando a arma para cima ou para baixo. A arma não caiu". A revelação foi feita à equipe de reportagem do jornal por uma testemunha ocular da morte do adolescente Bruce Cristian de Oliveira, 14. Bruce foi morto com um tiro na nuca, disparado pelo soldado da Polícia Militar Yuri Silveira Alves Batista, do Ronda do Quarteirão, na tarde do último dia 25 de julho.
A testemunha - um homem que solicitou que sua identidade fosse preservada - afirmou ter presenciado toda a ocorrência, mas o delegado José Munguba Neto, titular do 4º DP (Pio XII), recusou-se a falar sobre o assunto, ontem. "Falaremos apenas amanhã (hoje), em entrevista coletiva", disse.
A versão apresentada pela testemunha contraria a que foi colocada pelo policial militar, em depoimento, no 2º DP (Aldeota), no dia do crime. Yuri teria dito à Polícia Civil que o disparo tinha sido feito para atingir o pneu da moto e que teria atingido o garoto Bruce acidentalmente. "O policial atirou com o braço esticado para a frente", reiterou a testemunha.
Várias outras testemunhas fora ouvidas no inquérito policial instaurado no 4º DP para apurar a morte do adolescente. Entre elas, dois homens que estavam em uma moto bem próximos da moto em que trafegavam Bruce e seu pai, Francisco das Chagas de Oliveira Sousa, 37.
O inquérito já conta com 121 páginas e a Polícia ainda espera receber alguns laudos. No fim da tarde de ontem, conforme informações de uma fonte da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o laudo cadavérico de Bruce teria saído da Perícia Forense para as mãos do delegado Munguba Neto. O titular do 4º DP também não quis confirmar o recebimento do documento à equipe de reportagem.
Resultado
De acordo com a fonte da SSPDS, o garoto foi morto realmente com um tiro que entrou na nuca e saiu na altura da sobrancelha esquerda.
Conforme a mesma fonte, a Polícia já teria recebido o laudo do exame realizado na arma do policial Yuri Silveira, uma pistola calibre Ponto 40. O exame teria atestado que a arma encontrava-se em perfeitas condições.
Sigilo
Nos últimos dias, o presidente do inquérito policial - delegado Munguba - optou pelo silêncio nas investigações. Ele afirmou que somente hoje, em entrevista coletiva que será realizada às 9 horas no 4º DP, alguns questionamentos dos jornalistas poderão ser esclarecidos e novas informações vão ser repassadas para divulgação.
NATHÁLIA LOBO
Subeditora
Nenhum comentário:
Postar um comentário