4 de julho de 2010

PT tem estrutura mais robusta nos Estados

Clique para Ampliar

Dilma Rousseff terá mais palanques estaduais, apesar de contar com menos candidatos próprios

Brasília
Com uma ação direta do Palácio do Planalto em negociações para fechar os palanques estaduais, a aliança encabeçada por PT e PMDB montou estrutura regional mais robusta para a candidatura presidencial de Dilma Rousseff do que a da aliança PSDB e DEM em torno de José Serra. Levantamento feito pelo jornal O Globo mostra que Dilma terá 41 palanques de candidatos a governadores espalhados pelos 27 estados. Já Serra conseguiu garantir palanques em 25 estados.
A senadora acreana Marina Silva (PV) terá palanque em apenas três estados: Rio, São Paulo e Bahia. Até no Acre, o PV estará coligado com o PT no palanque do seu amigo Tião Viana.
O grande número de palanques de Dilma, segundo os petistas, pode até lhe criar problemas, já que em muitos casos ela terá que se dividir entre duas campanhas.
Os tucanos reconhecem que a força da máquina governamental criou dificuldades para estruturar candidaturas dos aliados de Serra. Tanto que o tucano não terá palanque estadual no Amazonas e na Paraíba.
No Maranhão, a solução surgiu em torno da candidatura do ex-governador Jackson Lago (PDT), que corre o risco de perder o registro com a Lei da Ficha Limpa.
"O governo usou seu poder de fogo para formar os palanques de Dilma. Mesmo assim, Serra conseguiu palanques competitivos em quase todo o Brasil, o que é surpreendente", avalia o líder da minoria, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Para montar palanques para Serra, o PSDB teve que criar várias candidaturas. Serão 18 tucanos disputando governos estaduais. Já o PT inverteu a estratégia, priorizando as alianças em torno de Dilma: serão apenas 10 petistas em disputa nos estados, contra 18 em 2006.
Líder do governo na Câmara e um dos coordenadores da campanha de Dilma, Cândido Vaccarezza (PT-SP) avalia que ela larga com enorme vantagem: "O importante não é Dilma ter até dois ou três palanques por estado, mas ter palanques fortes. Não concordo que ela conseguiu isso devido ao peso da máquina, mas por termos acertado na linha política, e por fazer parte de um governo que deu certo. O Serra errou mais".
Serra ainda pode perder os apoios de Expedito Júnior (PSDB), em Rondônia, e Joaquim Roriz (PSC), no DF, se suas candidaturas forem impugnadas pela Ficha Limpa.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), diz que o governo trabalhou para esvaziar os palanques estaduais de Serra, mas que não conseguiu: "Houve um esforço do governo Lula para interferir nos partidos e nos palanques estaduais. Mas estávamos sólidos", disse.
O Planalto operou de todo jeito. O peso da candidatura governista não conseguiu, entretanto, convencer alguns candidatos do PP. Em Santa Catarina, a deputada Ângela Amin ficará neutra, assim como o deputado Celso Russomano, em São Paulo. Outro palanque neutro será o do ex-prefeito José Fogaça (PMDB), no Rio Grande do Sul.
O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PT-PR), diz que a aposta é continuar governando o País. Por isso, o partido sai com menor número de candidatos próprios. Mas refuta que Dilma conseguiu apoios por causa da máquina. Diz que, em 2002, Fernando Henrique tinha a máquina e não elegeu Serra.
A tese de Vargas, no entanto, esbarra em dois casos emblemáticos, onde a direção nacional influiu nas negociações estaduais, no Maranhão, onde o partido foi obrigado a apoiar Roseana Sarney e em Minas Gerais, em torno de Hélio Costa.

Nenhum comentário: