9 de julho de 2010

Polícia diz que Bruno viu Eliza ser estrangulada

A Polícia aponta o ex-policial Marcos dos Santos, Bruno, Macarrão e o adolescente como autores do crime

Belo Horizonte Para a Polícia de Minas Gerais, o desaparecimento de Eliza Samudio está esclarecido: o goleiro Bruno Fernandes, 25, não apenas soube do sequestro da ex-amante, como presenciou ela ser estrangulada e morta.
Na versão apresentada pelo delegado Edson Moreira, Bruno estava na casa em Vespasiano (região metropolitana de BH) em que Eliza foi estrangulada e morta pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. O ex-policial, também conhecido por Nenem e Paulista, foi preso hoje. Ele e Bruno negam as acusações (ver matéria abaixo).
Além de Bruno, também estavam no local Luiz Henrique Romão, o Macarrão, funcionário do atleta, e um primo adolescente de Bruno, segundo a Polícia. Os policiais dizem que as acusações são baseadas nos depoimentos de Sérgio Camelo, também primo de Bruno, e no que disse o adolescente -o primeiro a ser ouvido pela Polícia. À polícia do Rio, o jovem disse que Bruno esteve no sítio mas afirmara que ele foi embora pouco depois.
Ontem, em Minas, disse que o jogador presenciou o crime. Segundo ele, Camelo também esteve na casa de Bola, o que é negado por Camelo.
Nesta quinta-feira, a Polícia ainda procurava o corpo de Eliza na casa de Bola e em outros locais, sem sucesso. "Mesmo se não encontrarmos o cadáver, com todos esses elementos aí, certamente as pessoas envolvidas serão devidamente indiciadas e apresentadas à Justiça como autoras desse homicídio e da ocultação do cadáver´´, disse o delegado Wagner Pinto.
A Polícia aponta Bola, Bruno, Macarrão e o adolescente como autores do crime.

Crime
Segundo a Polícia, baseada nos depoimentos de envolvidos e de testemunhas, Eliza e o filho, que ela dizia ser de Bruno, chegaram ao sítio de Bruno em Esmeraldas entre os dias 5 e 6 de junho.
Na viagem, foi agredida pelo primo adolescente no veículo Range Rover de Bruno, dirigido por Macarrão.
Ferida, foi mantida sob cárcere privado com o conhecimento de Bruno, Macarrão, Sérgio e o adolescente, além dos funcionários do sítio. Dayanne, mulher de Bruno, também estava no local. No dia 9, suposta data do crime, Eliza e o bebê foram levados à casa de Bola. Ela, segundo a Polícia, foi amarrada e estrangulada.
Em seguida, Bola determinou que todos fossem embora para que o corpo fosse desovado. Foi quando o jovem diz ter visto pedaços de Eliza serem jogados aos cães.
Ainda segundo a Polícia, Macarrão pensou em matar também o bebê, mas foi impedido por Bruno. De acordo com o delegado Moreira, o jogador foi beber cerveja depois de tudo.

Defesa
O advogado Ércio Quaresma Firpe, que assumiu a defesa de Bruno Fernandes após o advogado do Flamengo abandoná-la, negou participação do goleiro na morte de Eliza Samudio e também em qualquer agressão ou cárcere privado.
Negou ainda envolvimento de seus outros clientes: Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão, amigo do atleta), Dayanne Souza (mulher de Bruno), Elenilson Vitor da Silva (administrador do sítio do jogador) e os amigos Wemerson Marques de Souza (o Coxinha) e Flávio Caetano de Araújo.
Quaresma não quis comentar as acusações da Polícia, como a de que Bruno e Macarrão estavam presentes no momento em que Eliza, conforme a investigação, foi estrangulada pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

INVESTIGAÇÃO
Preso acusado de matar jovem

O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, Paulista ou Neném, suspeito de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, entregou-se à Polícia mineira no início da noite de ontem. Santos é o proprietário da casa em que a polícia fez buscas na quarta-feira, após indicação do adolescente de 17 anos -primo do goleiro Bruno Fernandes- acusado de envolvimento no caso.
Em depoimento à polícia do Rio, o jovem confirmou a morte de Eliza e deu detalhes sobre o suposto crime. Foram escavados algumas partes do imóvel, mas o corpo não foi encontrado.
Ontem, o delegado Edson Moreira disse, após ouvir depoimentos, que Santos matou Eliza. Ele teve prisão decretada e era procurado pela Justiça.
O advogado Roberto de Assis Nogueira, que defende o ex-policial, nega qualquer envolvimento de seu cliente no suposto crime. Ele afirma que o ex-policial só irá depor após ele ter acesso ao inquérito policial.

Buscas
Policiais e bombeiros de Minas fizeram buscas pelo corpo de Eliza em um sítio em Esmeraldas (região metropolitana de Belo Horizonte), na tarde da quarta-feira.
Segundo a Polícia, a propriedade era alugada por Santos para adestrar cães. Além de agentes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, cães farejadores estão no sítio, que fica na mesma cidade na qual Bruno tem uma propriedade onde, segundo o adolescente, Eliza foi mantida antes de ser morta.
Na ontem, Bruno teve a prisão temporária decretada no Rio e se entregou. A Polícia fluminense diz que ele é suspeito de ser o mandante do sequestro de Eliza. Em Minas, o goleiro é investigado pelo assassinato da ex-amante.
Ontem às 14h, Bruno e Macarrão foram transferidos para Complexo Penitenciário de Gericinó, Bangu. A noite o Tribunal de Justiça do Rio autorizou que os dois fossem transferidos para Belo Horizonte, para onde seguiram ontem mesmo.

EM NOTA
Flamengo suspende o contrato do goleiro
O Flamengo suspendeu o contrato do goleiro Bruno temporariamente, "até que os fatos sejam inteiramente apurados", informou o clube através de sua assessoria de imprensa.
O advogado Michel Assef Filho, do Flamengo, comunicou nesta quinta-feira que não vai mais defender o jogador. Na nota oficial divulgada à imprensa o clube avisa que Assef não representava os interesses do Flamengo no caso.
"Consoante deliberação unânime da Comissão instituída para o caso, constituída pelos juristas notáveis: Mário Pucheu, advogado, Theophilo Miguel, juiz federal, os desembargadores Marcus Faver, Siro Darlan e Walter D´Agostino, além dos desembargadores do trabalho Marcelo Antero e José da Fonseca Martins Júnior, o Clube de Regatas do Flamengo que nenhuma relação tem com o fato ocorrido, vem comunicar a suspensão do contrato de trabalho do atleta Bruno Souza, até que os fatos sejam inteiramente apurados", diz a nota.

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