8 de julho de 2010

Goleiro Bruno e amigo entregam-se à Polícia


Considerado foragido, o goleiro Bruno estava sendo procurado por 15 equipes da Divisão de Homicídios do Rio

Rio de Janeiro O goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, se entregou à Polícia na tarde de ontem no Rio, após a Justiça emitir um mandado de prisão temporária contra ele por seu suposto envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, sua ex-namorada. Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo e funcionário de Bruno, também entregou-se.
Em Minas Gerais, a Justiça também confirmou ontem a prisão de Dayanne Rodrigues do Carmo Souza (mulher de Bruno), Flávio Caetano de Araújo (amigo de Bruno), Wemerson Marques de Souza (o Coxinha, amigo de Bruno), Elenilson Vitor da Silva (administrador do sítio de Bruno) e Sérgio Rosa Sales Camelo, também envolvidos no caso.
Segundo o delegado Felipe Ettore, Bruno será indiciado como mandante do sequestro de Eliza. O delegado diz que Macarrão e um adolescente de 17 anos também serão indiciados, mas como os executores do sequestro. Na chegada de Bruno e seu amigo à Divisão de Homicídios houve tumulto. Eles foram recebidos por uma multidão e sob os gritos de "assassinos".
Os pedidos de prisão de Bruno e Macarrão foram feitos pelo promotor Homero das Neves Freitas Filho, que acompanhou na terça-feira o depoimento do adolescente localizado na casa de Bruno que confirmou a morte de Eliza e deu detalhes sobre o suposto crime.
No depoimento, cujos trechos foram divulgados ontem em noticiário da Rede Globo, o adolescente conta que, em Minas, ouviu Bruno dizer para Macarrão e Sérgio que era para eles resolverem o problema com Eliza. Que não queria problemas para o lado dele e que ele, Bruno, não saberia de nada. Macarrão e Sérgio disseram que não poderiam libertar Eliza, pois o problema seria ainda maior. Bruno disse então que já tinha acontecido "m...." da primeira vez, e não queria que o problema se repetisse com Eliza.
Segundo o menor, Macarrão, e Sérgio levaram Eliza até um sítio, onde foram recebidos por um homem alto, negro, chamado Neném. Lá, Neném pegou Eliza, amarrou-a pelos braços e deu uma gravata, sufocando-a. Logo depois, segundo o jovem, Neném passou carregando um saco e seguiu em direção a um canil, onde havia quatro rotweillers. O adolescente diz que viu Neném retirar a mão de Eliza e arremessar para os cães.

Sangue no carro
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou ontem que parte das manchas de sangue encontradas no carro Range Rover de Bruno são de Eliza. De acordo com o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações, foram localizadas quatro manchas de sangue humano, sendo três de Eliza. Uma quinta mancha identificada não foi possível extrair DNA.
Com a conclusão dos exames que confirmaram o sangue de Eliza, o delegado disse que a Polícia vai pedir a coleta do sangue de todos os suspeitos pelo desaparecimento da jovem. "A materialidade do delito vai se comprovando mais robustamente", disse Moreira.
O pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, passou mal ontem, em Belo Horizonte, e foi hospitalizado. De acordo com o advogado de Luiz Carlos, Jader Marques, seu cliente sofre com o stress provocado pela divulgação de informações sobre como o assassinato da jovem teria acontecido. O Hospital Mater Dei confirmou o atendimento a Luiz Carlos, mas não informou detalhes. O advogado disse que ele ficou em observação, foi medicado e liberado. Marques afirmou ainda que seu cliente está "nervoso e angustiado".

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