22 de julho de 2010

Gel vaginal reduz casos de Aids em até 54%, diz estudo

Caso tenha a eficácia confirmada, o novo medicamento poderá salvar pelo menos 820 mil vidas só na África do Sul nos próximos 20 anos. A pesquisa foi publicada na revista Science

Um gel de aplicação vaginal foi eficaz contra o vírus da Aids pela primeira vez na história das pesquisas de métodos preventivos contra o HIV.

Segundo o estudo sul-africano, divulgado ontem na revista científica Science, mulheres que usaram adequadamente o produto, que leva 1% do medicamento antirretroviral tenofovir, tiveram uma redução de 54% na incidência de infecção.

No geral, contando mulheres que falharam algumas vezes no uso do gel, as infecções diminuíram 39%, mostrou o trabalho.

A instrução era a de que uma dose fosse aplicada na vagina menos de 12 horas antes da relação sexual e outra, no máximo 12 horas depois.

Melhor que vacina

Para se ter uma ideia da importância do resultado, a performance foi melhor que a de testes recentes de uma vacina contra o vírus, que ganharam repercussão mundial com uma redução de 31% das infecções.

Uma simulação matemática indicou que, se os níveis de eficácia do gel de tenofovir se confirmarem, apenas na África do Sul seu uso poderia salvar pelo menos 820 mil vidas ao longo de 20 anos.

Além disso, o desenvolvimento de microbicidas poderá ser um importante passo para dar mais poder às mulheres na prevenção da aids.

Estudos demonstram que as desigualdades entre gêneros levam a dificuldades na negociação do uso do preservativo masculino.

Os líderes do estudo, pesquisadores do Centro de Pesquisas sobre Aids da África do Sul, destacaram que a incidência de infecções ainda é muito alta.

O gel é uma nova arma com resultados promissores, mas que precisará ser usada junto com um conjunto de estratégias, incluindo os preservativos.

Eles apontaram também dificuldades para adesão ao uso do produto e enfatizaram que a amostra de 889 mulheres é pequena.

(das agências de notícias)


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