Criança de 11 anos foi atingida no peito em sala de aula no momento em que a PM realizava uma operação contra o tráfico
Rio de Janeiro O menino Wesley Rodrigues de Oliveira, de 11 anos, foi atingido no peito por uma bala perdida dentro de uma sala de aula no Ciep Rubens Gomes, em Barros Filho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas já chegou morto à unidade.
Na manhã de ontem, quando o menino foi atingido, havia uma operação policial nas favelas da Quitanda e da Pedreira, em Costa Barros. As comunidades ficam na mesma região do Ciep. A Secretaria de Saúde do Estado do Rio informou que seis corpos de adultos foram encaminhados para o Hospital Carlos Chagas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que as aulas da escola foram suspensas ontem. A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, considerou inaceitável o falecimento do menino por bala perdida. À tarde, um grupo de cerca de 50 pessoas - na maioria mulheres e crianças - fizeram um protesto perto do Ciep. Pneus e madeiras pegando fogo bloquearam a rua.
Na próxima segunda-feira, uma equipe do Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais irá à unidade escolar para conversar com as crianças e professores. Ainda ontem, o comandante do 9º BPM, coronel Fernando Principe, foi afastado do comando da unidade por determinação do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. A decisão foi tomada em reunião que está sendo realizada nesse momento no quartel-general da corporação. O coronel Mário Sérgio Duarte ainda determinou a apuração do episódio que será feita pela Corregedoria da Polícia Militar.
A Divisão de Homicídios também investiga o caso. As armas usadas pelos policiais, além das apreendidas durante a operação, onde seis homens não identificados foram mortos serão levadas à perícia de balística.
Familiares
A mãe da criança morta não quis falar com a imprensa. Muito abalada, ela e o marido, foram ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento e a liberação do corpo. A mãe de Wesley, Islaine Rodrigues do Nascimento, disse que é empregada doméstica e estava trabalhando quando foi informada da morte do filho.
No IML, uma mulher de 39 anos, que preferiu não se identificar, disse que seu filho foi um dos seis mortos na operação da PM. Ela enfatizou que o filho, Daniel Amorim da Cunha, de 19 anos, não era traficante, e que trabalhava com ela.
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