Menos de uma semana depois de abandonar a base governista, o PSDB deu provas de que Cid Gomes não terá paz nos próximos meses. Na sessão de ontem, o deputado Tomás Figueiredo afirmou que o atual governo tem "mentalidade coronelista"
Depois de romper com o governador Cid Gomes (PSB), o PSDB colocou, ainda que timidamente, “as manguinhas de fora” e teve ontem o seu primeiro dia de oposição na Assembleia Legislativa. O deputado Tomás Figueiredo atacou Cid ao afirmar que uma “mentalidade coronelista” toma conta daqueles que comandam o Ceará.
O parlamentar convocou o senador Tasso Jereissati para a disputa ao Palácio Iracema e afirmou que Tasso seria o único com condições de combater Cid e “botar moral”. Os demais tucanos ouviram o pronunciamento sem esboçar qualquer reação.
Em sua sequência de críticas, Tomás reclamou dos problemas na segurança, da construção do oceanário Acquario Ceará, na Praia de Iracema, dos desperdícios que ocorreriam no governo Cid, “do provincianismo das viagens”, da falta de gestão e até “da politicagem e do apadrinhamento” de uma administração que, segundo ele, está voltada para agradar “uma corriola bajuladora”.
“Faltou sensibilidade, faltou governante de ouvidos bem abertos, e um governante surdo não pode governar o Ceará. Tasso, o desafio de governar o Estado do Ceará mais uma vez te chama. Aceite!”, apelou o parlamentar. E por diversas vezes repetiu: “Bota moral, Tasso, bota moral no Ceará”, dizia, referindo-se às mais variadas áreas em que, de acordo com Tomás, o ex-governador tucano foi superior a Cid.
Tomás Figueiredo disse ainda que falta ao atual governo democracia e participação popular. “Ceará democrático e participativo não coopta opositores nem promove corriolas. Sobretudo, incentiva a crítica, porque é na crítica e não na bajulação do governante que uma sociedade constrói o governo”, posicionou-se.
Fazendo referência a Cid, o parlamentar disse ainda que um governante deve saber ouvir as pessoas para estar bem informado no momento de decidir “o que é melhor e o que é possível fazer”. “O contrário é o delírio, a necessidade substituída pela megalomania de quem não sabe onde está pisando”, atacou.
Tomando as dores
A defesa de Cid Gomes coube, em boa parte, a quem assistia toda a crise entre o governador e o PSDB de camarote: o PT. O primeiro a se manifestar foi o deputado Artur Bruno, que em quase toda sua vida parlamentar fez oposição a Tasso, mas que, depois de seis meses como secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social de Cid, vinha sendo um dos petistas mais críticos ao atual Governo. “Tudo que foi feito de bom o governador Cid Gomes manteve, mas deu uma prioridade ao social que antes não existia”, defendeu.A defesa mais incisiva coube ao líder do Governo, deputado Nelson Martins (PT). “Não posso, de maneira nenhuma, na condição de líder, concordar com algumas colocações direcionadas diretamente ao Governo do Estado”, adiantou Nelson, antes de debulhar o rosário de argumentos que colocariam Cid à frente dos governantes que o antecederam.
Sobre os mecanismos de participação democrática, ele citou a realização de cerca de 75 edições do “Governo em Minha Cidade”, além da construção do Plano Plurianual (PPA) de forma participativa. Fora isso, o governo Cid implantou seu portal da transparência, agora exigido por lei.
Nelson fez questão ainda de destacar que o atual governo é impessoal, já que Cid não aparece na publicidade do Estado. “Não há necessidade de botar moral nenhuma, porque ela já está sendo colocada”, disse Nelson, rechaçando as palavras “cáusticas” de Tomás Figueiredo.
O vice-líder do governo, deputado Roberto Cláudio (PSB), também entrou em campo. “Parece que o deputado Tomás Figueiredo esteve ausente não só da Assembleia nesses últimos três anos e meio, mas também do Estado”, rebateu, ao falar dos avanços do atual governo.
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