José Agostinho Pereira foi preso em flagrante e deve responder por diversos crimes
JÚLIO COSTA/FUTURAPRESS
11/6/2010
Homem que manteve a filha presa por 16 anos e teve sete filhos com ela violentou a filha-neta de cinco anos
São Luís. O lavrador José Agostinho Bispo Pereira, 54, que manteve a filha em cárcere privado por 16 anos no Maranhão e teve sete filhos com ela, recentemente também violentou a filha-neta de cinco anos, confirmou um exame, segundo a delegada Adriana Meirelles, da Delegacia da Mulher de São Luís. A outra filha-neta, de oito anos, afirmou que também sofreu abusos mas o exame não comprovou a violência.
O lavrador foi preso terça-feira. Ele teve oito filhos-netos, sete com Sandra, hoje com 29 anos, e um com outra filha, que fugiu meses atrás.
A equipe de resgate encontrou os meninos e meninas com fome e praticamente sem roupas. As crianças têm 12, 8, 6, 5, 4 e 2 anos, além de um bebê com pouco mais de dois meses.
Logo após dar à luz, Sandra entregou a criança mais nova a um tio que também vive no município. Representantes do Conselho Tutelar afirmam que o bebê passa bem. "A criança está bem cuidada, em uma situação bem diferente dos irmãos que viviam com o lavrador", afirmou a conselheira Rosane de Jesus Castro.
"O lugar parecia um chiqueiro. O chão era de areia, uma imundície", diz José de Ribamar Brito, do Conselho Tutelar de Pinheiro, sobre o casebre onde o lavrador manteve a filha em cárcere. Segundo o conselheiro, as crianças achadas têm dificuldade de comunicação e são bastante arredias. Tanto as crianças quanto a mãe não sabem ler nem escrever.
A situação mais preocupante é a do menino de nove anos, que tem problemas congênitos. Além de surdo-mudo, o menino tem deficiência mental e quase não consegue se comunicar. Uma equipe composta por psicólogos, médicos e assistentes sociais foi designada para o caso.
Pereira foi preso em flagrante e confessou o crime e responderá por cárcere privado e estupro de vulnerável, além de abandono material, abandono intelectual, maus-tratos, pelas condições em que se encontravam a jovem e as crianças. Segundo os delegados responsáveis pela investigação, o acusado começou a abusar da filha quando ela tinha 12 anos e, desde então, vivia maritalmente, escondido no povoado.
O caso foi descoberto após uma denúncia anônima feita durante uma passeata contra a pedofilia, na capital maranhense, 15 dias. O homem e a filha moravam em uma casa de dois cômodos, feita de barro e pedaços de madeira, coberta de palha. O imóvel fica no povoado de Experimento, uma região afastada do Centro de Pinheiro, a mais de 300 Km de São Luís. Os policiais precisaram usar canoas para chegar ao local.
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