O irmão do governador Cid Gomes, Ivo Gomes, disse que a entrada de Marcos Cals no páreo pelo Palácio Iracema garante campanha de alto nível. Ele afirmou que, agora, não vê mais sentido em negociar com o PSDB
“O nome do PSDB não podia ser melhor”. A declaração ao O POVO do deputado estadual Ivo Gomes (PSB) – irmão e principal articulador político do governador Cid Gomes – resume o sentimento do Palácio Iracema diante do lançamento do tucano Marcos Cals na disputa pelo Executivo estadual. “Para nós, é a garantia de que teremos uma campanha de alto nível”, aprovou Ivo, em um elogio indireto ao mais novo adversário de Cid.
O “alívio” pode parecer contraditório à primeira vista, mas a reação pacífica – quase positiva – da cúpula do Governo reside no fato de, até dois meses atrás, Cals ter ocupado posto importante na gestão Cid, como chefe da pasta de Justiça e Cidadania. Nos bastidores, especula-se que a proximidade do concorrente com o projeto cidista pode culminar em um “pacto de não agressão” na campanha.
Do lado do PMDB, Marcos Cals foi tratado como “Marquinhos” pelo deputado federal Eunício Oliveira, interlocutor dos mais próximos de Cid e único candidato ao Senado apoiado oficialmente pelo governador, até agora. Com um discurso bastante afinado com o de Ivo, o parlamentar disse que a expectativa é de uma candidatura “suave” por parte do PSDB. “Não é que não seja adversário, deve ser respeitado, mas é um nome suave”.
Como demonstração de que o rompimento não causou grandes estragos, o irmão de Cid descartou até mesmo a hipótese de o PSB pedir de volta os cargos que o PSDB ocupa no Governo, como a secretaria do Turismo, coordenada pelo tucano Bismarck Maia. “Nós não vamos cobrar. Não trabalhamos assim, não perseguimos as pessoas”, garantiu.
Tem volta?
O anúncio do nome de Cals fecha um ciclo no cenário pré-eleitoral e, em tese, afasta de vez do PSDB o “sonho” de aliança formal com os Ferreira Gomes – defendido por boa parte dos tucanos. O próprio Ivo, que coordena o colegiado de 15 partidos negociadores da aliança cidista, sinalizou que, a partir de agora, não adianta mais negociar por uma aliança formal com os tucanos. “Seria uma grosseria com o PSDB, que já tá com candidato lançado, a gente ir atrás de conversar”, avaliou, mesmo confirmando que estava marcada para ontem à noite uma reunião entre seu outro irmão, Ciro Gomes (PSB), e Tasso.
Eunício, entretanto, disse ainda ter esperanças nas negociações e não descartou a possibilidade de dobradinha entre ele e o tucano no pleito ao Senado.
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