14 de junho de 2010

Dilma oficializada pelo PT


Em um discurso de 50 minutos, a candidata rebateu as críticas de que sua campanha quer dividir o País

Oficializada ontem como candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, 62, disse que vai dar continuidade às políticas adotadas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas "com alma e coração de mulher". "Não é por acaso que depois desse grande homem o nosso Brasil possa ser governado por uma mulher. Uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que fará um Brasil de Lula com alma e coração de mulher", disse
Dilma, em discurso que encerrou a convenção nacional do PT que aprovou a indicação de seu nome para concorrer à presidência. "O nosso presidente Lula mudou o Brasil e o Brasil, por causa dessa mudança, quer seguir mudando. A continuidade que o Brasil deseja é a continuidade da mudança, que é isso que nós conseguimos consolidar no governo do presidente Lula. É seguir mudando para melhor", completou.
No discurso, que durou cerca de 50 minutos, Dilma buscou rebater as críticas dos adversários tucanos de que sua campanha divide o país ao defender uma eleição plebiscitária em que a população vai avaliar os governos de Lula e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
"Nesta campanha nós vamos debater em alto nível. Vamos mostrar ao povo que somos diferentes dos outros candidatos, mas depois de eleitos vamos governar para todos os brasileiros", afirmou a petista.
Comparando o governo Lula da Silva com os dos antecessores, Dilma destacou os avanços obtidos. "Quebramos o tabu e provamos que incluir os mais fracos e necessitados é um avanço", disse a ex-ministra, citando conquistas em diversos setores a partir da estabilidade e do desenvolvimento econômico. "É um caminho indispensável e, sobretudo, um caminho que leva ao desenvolvimento", afirmou.
Sem citar diretamente o PSDB, Dilma também atacou governos anteriores que, segundo ela, governaram para apenas um terço da população. "O tabu mais importante que derrubamos foi o de que era impossível governar para todos os brasileiros. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram para um terço da população. Para muitos deles, o resto era peso, estorvo e carga".
Dilma também listou prioridades de seu eventual governo. Defendeu investimentos em saúde, educação e em infraestrutura. Na educação, disse que vai criar creches e investir no ensino técnico e no ensino superior.
E aproveitou para alfinetar o adversário José Serra, ao afirmar que professor em greve não pode ser recebido pela polícia, em referência aos embates ocorridos em São Paulo quando o tucano ainda era governador.
Também defendeu investimentos na saúde: "Nossas prioridades na saúde estarão baseadas em três pilares: financiamento adequado e estável para o sistema, valorização das práticas preventivas e organização dos vários níveis de atendimento, garantindo atendimento básico, ambulatorial e hospitalar de alta resolutividade em todos os Estados brasileiros".

Meninas
Dilma também disse que, se eleita, vai ampliar as relações, iniciadas no governo Lula, com os países vizinhos da América Latina. Ao final do discurso, a candidata petista dedicou a sua eventual vitória as meninas brasileiras. Segundo ela, o fato de ser escolhida pelo PT para disputar a presidência mostra para as mulheres que elas também podem ocupar o cargo.

REAÇÃO
Lula diz que dossiê é jogo rasteiro dos adversários
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou ontem as insinuações de que integrantes do PT elaboraram um suposto dossiê contra um dirigente do PSDB. Na convenção nacional do PT, em Brasília, Lula disse que espera que os adversários da pré-candidata do partido à Presidência da República, Dilma Rousseff, "não façam um jogo rasteiro, inventando um dossiê" a cada dia. Segundo ele, este é um "jogo sujo".
"Nós esperamos que nossos adversários estejam dispostos a fazer uma boa campanha", disse Lula, na convenção. "Que os adversários não façam um jogo rasteiro inventando um dossiê todo dia. Nós estamos maduros e calejados. Sabemos como o jogo funciona, sempre com muita tranquilidade, porque o bicho vai pegar. A maturidade de vocês é que vai garantir que a gente ganhe essas eleições."
O suposto dossiê seria resultado de um levantamento sobre os dados fiscais e financeiros do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. No documento estariam registradas movimentações bancárias de cerca de R$ 3,9 milhões e outras informações sigilosas relativas ao Imposto de Renda do tucano.
No discurso, Lula ressaltou as habilidades de Dilma e sua capacidade em administrar. "Ficarei muito feliz de poder entregar a faixa presidencial para uma mulher. Eleger a Dilma significa que é possível dar continuidade às coisas que fizemos neste país", disse o presidente.
Depois de afirmar que há condições de Dilma vencer as eleições, o presidente ressaltou que é necessário evitar a arrogância e o excesso de confiança. "Estou convencido que a possibilidade de ganhar as eleições é total e quase absoluta. Mas eleição e mineração a gente só conhece depois da apuração, que ninguém fique andando de salto. Não existe eleição fácil. Toda eleição tem de ser trabalhada 24 horas por dia", disse.
Lula reclamou do eventual tratamento diferenciado da imprensa a campanha de Dilma e as dos candidatos da oposição. "Quando se trata de campanha é preciso que a imprensa seja neutra ou no, mínimo, diga que tem um candidato", afirmou

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