O bebê foi encontrado por um mulher que escutou o choro da criança, abandonada na Granja Portugal
Ainda era madrugada. A diarista saiu de casa, arrodeou o quarteirão e foi até lá. Descobriu que o choro era de um bebê recém-nascido. A criança estava dentro de uma gaveta, junto a um entulho e bem próximo a um formigueiro.
“Era uma menininha. Estava de bruços, toda suja, ainda com o cordão umbilical. Só não morreu porque Deus não permitiu”, diz a diarista. Ela levou o bebê para casa e cobriu a criança com as fraldas do neto. “Tava com frio, começando a ficar roxinha”. Foi amor à primeira vista, como define. “Eu não tive essa criança, mas é como se a tivesse tido. Foi Deus quem colocou no meu caminho”, acredita.
A recém-nascida foi encontrada na madrugada do sábado. Desde então, a diarista praticamente não sai do hospital onde o bebê está internado. “Os primeiros cuidados foram tomados. O bebê está bem”, informa Fátima Varela, assistente social do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no Conjunto Ceará. “Ela chegou toda picadinha, com arranhões”, comenta. Segundo a diarista, havia muitas formigas em cima da criança. Ainda não há previsão de alta.
A diarista tem a intenção de ficar com o bebê, mas é a Justiça que vai decidir. Quando receber alta, a criança será encaminhada a um abrigo público, por meio do Conselho Tutelar. “Em seguida, a gente comunica à autoridade judicial”, explica o conselheiro tutelar Cláudio Rocha. Para solicitar a adoção, a diarista terá que entrar com um pedido formal no Fórum Clóvis Beviláqua. “ Tem que seguir o processo (de adoção)”, adianta.
Mesmo sabendo das dificuldades, a diarista está disposta. “Uma mãe que faz uma coisa dessas não tem coração. Quando eu vi aquela criança tão pequeninha, tão indefesa, me emocionei. Ela parou de chorar como se estivesse me agradecendo. É muito linda”, derrete-se. A diarista tem duas filhas - uma de 18 e outra de 14 - e uma netinha de um ano e 10 meses. O POVO não publica o nome da diarista a pedido dela.
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