28 de maio de 2010

PSDB cogita Tasso para vice

O ex-governador Aécio Neves descartou ontem a hipótese de ser vice de Serra e irá tentar uma vaga no Senado

Brasília Se não bastassem as preocupações suscitadas pelo resultado das últimas pesquisas de intenção de votos, que apontam o empate técnico entre o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff na disputa presidencial, a oposição agora enfrenta um novo problema: encontrar um vice para a chapa tucana até a convenção nacional do partido marcada para o próximo dia 12 de junho.
Já sem esperanças de ter o ex-governador mineiro Aécio Neves no posto (que descartou ontem a hipótese de ser o vice na chapa de José Serra), PSDB, DEM e PPS começam a discutir internamente outras alternativas ao seu nome, como, por exemplo, o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
"Se dependesse de mim, seria o Tasso", tem repetido o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), em conversas reservadas.
Apesar da grande recepção preparada na semana passada para Serra no Ceará, Tasso voltou a dizer esta semana aos companheiros de partido que não aceita. Ele teria confidenciado a amigos que um dos motivos seria porque não aceitaria levar bronca de Serra e que, se fosse escolhido, haveria crise entre os dois logo de cara.
Pesam, porém, a favor da indicação do nome de Tasso o fato dele ser nordestino e de ter grande popularidade no Ceará, o que poderia ajudar Serra a capitalizar os votos dos eleitores do ex-presidenciável Ciro Gomes, seu amigo.
Outra alternativa seria o nome do senador Sérgio Guerra, também nordestino. Ele é hoje um dos principais interlocutores do pré-candidato tucano e tem sido fundamental na negociação das alianças estaduais do PSDB e na ampliação do palanque nacional de Serra.

DECIDIDO
Aécio tentará vaga no Senado
No seu retorno à cena política, o ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), descartou hoje a possibilidade de compor como vice numa chapa encabeçada pelo pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.
Após um encontro no Palácio das Mangabeiras, Aécio, ao lado do governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), reafirmou a tese de que a melhor forma de ajudar na vitória de Serra e de Anastasia - pré-candidato à reeleição é "estando em Minas Gerais como candidato ao Senado".
Aécio retornou aos holofotes após quase um mês em férias no exterior, período em que a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, subiu nas pesquisas de intenção de voto e aparece empatada tecnicamente com o presidenciável tucano.
"A minha decisão não pode ser tomada a partir de opiniões pessoais, até de boas intenções de alguns companheiros. Elas são legítimas, mas a minha decisão tem de ser tomada através de uma análise muito profunda que eu faço do cenário político. E estou absolutamente convencido de que a melhor forma de ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo José Serra é estando em Minas Gerais como candidato ao Senado", destacou. Ao mesmo tempo, Aécio rechaçou as pressões para que aceite compor a chapa majoritária presidencial.
Sobre os que cobram "patriotismo" de sua parte, foi categórico: "Chega a ser uma piada. Ninguém fez mais gestos de generosidade dentro do PSDB em torno do nosso projeto do que eu", disse.
Coube a Itamar Franco falar claramente da opção de Aécio pela sucessão estadual. Segundo o ex-presidente, se fosse candidato a vice, Aécio faria uma "campanha de beija-flor." "Viria aqui (no Estado) de vez em quando, e bicava aqui e bicava lá. Nós precisamos vencer (em Minas)", afirmou. "É fundamental e nós acreditamos nisso piamente, a vitória do governador Anastasia".

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