``É impressionante como o Brasil está atrasado``. A declaração de forma estupefata dada pelo secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérome Valcke, já pode ser encarada com preocupação pelos gestores brasileiros. Atrasado pela terceira vez, o início das obras em boa parte dos estádios previstos para a Copa do Mundo de 2014 causou duras críticas. Até agora, apenas 50% das arenas esportivas começaram a mexer nas suas estruturas.
E entre as cidades atrasadas está Fortaleza, que ainda não tem prazo para definir quando a reforma do estádio Castelão começará. ``Estou fazendo de tudo para que a definição do processo licitatório termina neste mês de maio``, declarou o secretário do Esporte do Estado, Ferruccio Feitosa.
Com a definição de quem vencerá o processo de licitação, as obras devem começar em junho com a construção de uma praça no entorno do Castelão e de um estacionamento para 1.750 carros. ``Quem define as datas é a Comissão de Licitação do Governo do Estado. Mas acredito que neste mês (em maio) estará tudo pronto``, emendou Ferruccio.
No entanto, é fato que o Castelão está com o calendário bem atrasado. E depois das declarações do ministro do Esporte, Orlando Silva, de que seria possível cortes das subsedes da Copa, Fortaleza tem que correr contra o tempo. ``Não há nada oficial quanto a isso, do Comitê Organizador ou da Fifa, que são os órgãos que têm legitimidade para falar sobre o assunto``, despistou Ferruccio.
Para ele, mesmo com o atraso evidente nas obras, Fortaleza continuará como uma das cidades que receberão jogos da Copa 2014. ``Posso falar por Fortaleza. E posso assegurar que entregaremos o Castelão pronto até dezembro de 2012. Estamos bem``.
Mesmo assim, Ferruccio Feitosa deixou escapar uma pitada de preocupação com a demora em todo o processo e tratou de garantir mais ação. ``A gente está tendo o cuidado de apressar o processo. Talvez a preocupação do secretário-geral (Jérome Valcke) seja com quem nem começou o processo licitatório``, arriscou Ferruccio, na defensiva.
ENTENDA O CASO
7 de fevereiro de 2009
> Comissão da Fifa visita Fortaleza e avalia projeto para a Copa do Mundo de 2014.
31 de maio de 2009
> Fortaleza e mais 11 cidades são anunciadas como subsedes do Mundial de 2014.
3 de junho de 2009
> A prefeita Luizianne Lins e o governador Cid Gomes apresentam o Plano de Investimentos para a Copa 2014.
1º de março de 2010
> As subsedes brasileiras atrasam cronograma de obras estipulado pela Fifa. A entidade já havia passado o início das obras de 31 de janeiro para 28 de fevereiro.
28 de abril de 2010
> O ministro dos esportes, Orlando Silva, cogita corte de subsedes, caso os atrasos continuem.
3 de maio de 2010
> Calendário novamente atrasado motiva críticas veementes da Fifa.
COMO ESTÁ CADA ESTÁDIO DA COPA
OBRAS JÁ INICIADAS
> Verdão (Cuiabá)
O estádio está sendo desmontado. > Mineirão (Belo Horizonte)
As obras começaram em janeiro. O Mineirão fecha em 12 de junho.
> Vivaldão (Manaus)
O desmonte da infraestrutura já começou. Ordem de serviço para a demolição sai este mês.
> Arena da Baixada (Curitiba)
O Atlético-PR, dono do estádio, espera ajuda governamental.
> Beira-Rio (Porto Alegre)
Falta de dinheiro. Demora na aprovação do projeto para isenção fiscal ao Inter paralisou a obra.
> Morumbi (São Paulo)
O São Paulo e o Comitê paulista brigam com a Fifa para aprovar o projeto. Obras como substituições de mais de 24 mil cadeiras antigas, porém, já foram iniciadas.
PRAZO DESCUMPRIDO
> Castelão (Fortaleza)
Licitação ainda em andamento. Deve ser concluída em maio e obras devem começar em junho.
> Arena das Dunas (Natal)
As obras começarão em 18 de maio, ainda com trabalhos preliminares de terraplenagem.
> Arena Capibaribe (Recife)
Obras começaria em 10 de maio. Licitação sofreu recurso.
> Fonte Nova (Salvador)
As obras começarão esta semana. Mas a demolição da velha estrutura depende da Justiça.
> Maracanã (Rio de Janeiro)
Depende da aprovação do projeto pela Fifa, que pediu mudanças.
> Mané Garrincha (Brasília)
O Ministério Público quer impedir que a licitação comece. A entidade vê irregularidades no processo

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