
Antigo prédio da Brahma é implodido. Sobrou apenas a caixa d-água, que será destruída nos próximos dias. Nova detonação pode acontecer este mês. Evento virou a atração do dia no bairro
Bastaram dez segundos para três edifícios e uma torre da antiga sede da cervejaria Astra - mais conhecida como prédio da Brahma - virem abaixo. Detonados os 250 quilos de dinamite, ficou de pé apenas a caixa d-água. O equipamento não tombou como o previsto. Apesar do contratempo, a demolição virou a atração do dia no Papicu. Moradores de áreas próximas ao terreno saíram de casa para assistirem à queda de um equipamento há oito anos desativado.
Teve até quem interrompesse o banho e fosse à rua ainda enrolada na toalha. ``Ouvi o barulho e vim correndo. Mas nem consegui ver direito. Foi muito rápido``, disse a estudante Deliane Miranda, 18. Assim como ela, poucas pessoas seguiram a recomendação da Defesa Civil de não deixarem suas casas. Eram raras as residências fechadas. Nas ruas, pequenos grupos se aglomeravam. O entorno foi interditado pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC).
A expectativa era de que a implosão durasse entre quatro e 15 segundos. A Defesa Civil chegou a divulgar que todo o procedimento durou seis segundos. Mas tudo ocorreu em dez segundos. Dois métodos de detonação foram utilizados: a implosão dentro da própria base - que destrói o edifício - e a implosão por tombamento - que compromete a base e força o prédio a cair.
Para asssistir ao ``espetáculo``, boa parte do público concentrou-se num terreno baldio da rua Pereira de Miranda. Os espectadores somavam pra lá de 100. A vista era privilegiada. E as máquinas digitais e celulares não deixavam as mãos frenéticas por registros. ``Estávamos indo à praia e paramos para ver esse espetáculo``, disse a dona-de-casa Nanate Penhaloza, 70. Ao lado, um copo de refrigerante para refrescar do calor.
O evento ficou tão popular que houve quem faltasse o trabalho só para assistir à implosão. Foi o caso da vendedora Jakeline Silva, 24. Ela mora na Cidade 2000. ``Queria ver de perto, porque só tinha assistido pela televisão a do Carandiru``, justificou, referindo-se à demolição do complexo carcerário paulista, ocorrida em 2002.
Para outros, a destruição da antiga sede da Brahma foi o fim de um capítulo de importância familiar. ``Meu irmão ajudou a construir isso aí! Foi um trabalho danado pra colocar em pé e, agora, cai tão rápido. É uma emoção``, comentava o porteiro Pedro Bedê Ribeiro, 61
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