8 de maio de 2010

Em inquérito sobre máfia chinesa, PF não inclui depoimento de Tuma Jr.

A Polícia Federal em São Paulo não incluiu no inquérito sobre um suposto integrante da máfia chinesa o depoimento de Romeu Tuma Jr., secretário nacional de Justiça. A ausência dessa peça pode, em tese, significar supressão de prova.
Segundo a PF, foram encontrados indícios de que Tuma Jr. dava proteção a um suposto membro desse grupo, o chinês naturalizado brasileiro Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li. No depoimento, Tuma Jr. confirma que é amigo de Li, mas afirma desconhecer os negócios dele.
O chinês está preso desde setembro do ano passado sob acusação de importar ilegalmente telefones celulares para o Brasil. Em outro inquérito, ele é acusado de cobrar propina para regularizar a situação de chineses ilegais no País. Para a PF, Li contaria com o apoio de Tuma Jr. para obter a regularização.
Segundo o procurador da República que atua no caso das importações irregulares, Marcos José Gomes Corrêa, não foi feita denúncia contra Tuma Jr. nesse inquérito porque ele considera que não havia provas suficientes contra Jr.
"Fiquei abismado. Não sei o que fizeram com o depoimento", disse Tuma Jr. ao ser informado pelo jornal Folha de S. Paulo de que o depoimento não fazia parte do inquérito. Ele afirmou acreditar que essa ausência pode significar supressão de provas.
O depoimento de Tuma Jr. foi prestado em setembro do ano passado, alguns dias depois da prisão de Li, um instrutor de kung fu que é ligado à família Tuma desde os anos 90. Ele compareceu à Superintendência da PF em São Paulo sem advogado.
O secretário confirmou que Li foi seu assessor parlamentar quando era deputado estadual pelo PMDB, entre 2003 e 2006. Negou que ele tenha sido seu assessor no Ministério da Justiça, como está impresso em um cartão de visitas apreendido pela PF na academia de kung fu de Li, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Segundo Tuma Jr. ele decidiu ir espontaneamente à PF porque temia a exploração política da prisão do amigo.

Outro lado
A assessoria de comunicação da PF em São Paulo diz que a decisão de não juntar o depoimento ao inquérito foi técnica, sem alguma intenção de proteger ou prejudicar Tuma Jr.
Segundo a assessoria, o delegado Rodrigo Campos Costa julgou que o depoimento de Tuma Jr. não tinha relação com a investigação sobre a importação de celulares.
Em um relatório entregue em setembro do ano passado, o policial sugeriu que fosse aberto um inquérito específico para tratar da relação de Tuma Jr. com Li. Sete meses depois dessa sugestão, esse inquérito não foi aberto.
Segundo a PF, Tuma Jr. prestou só tomou um depoimento espontâneo, peça em que o suspeito pode dizer o que lhe for conveniente.

O POVO Online

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