10 de maio de 2010

Dia das Mães de muito trabalho

Angélica Judite Mano Aguiar se emociona ao lembrar da ausência na programação da família (Foto: GEORGIA SANTIAGO)
Nos corredores do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o tempo dos profissionais se divide e se multiplica para atender quem chega. Entre o encaminhamento de um e outro paciente, a jovem enfermeira Mirlane Gondim perde pela primeira vez o almoço de Dia das Mães. ``Geralmente trabalho no plantão noturno. Mas, justamente hoje... Eu queria estar com a minha mãe``, confessa quase sem intervalo, na entrada da emergência. Dia das Mães também é dia de muito trabalho.
Alguns andares acima, a técnica de enfermagem Angélica Judite Mano Aguiar, 35, até se emociona ao lembrar da ausência na programação da família. As lágrimas não chegam a percorrer o rosto, porque ela começa a falar do cotidiano no centro cirúrgico. ``O meu trabalho é salvar vidas. Nós somos uma equipe e recebemos aqui os pacientes mais críticos``. A tristeza vai mesmo embora quando lembra que mais tarde, às 19 horas, sai do plantão e vai poder encontrar com a mãe e os filhos. ``A gente fica um pouco deprimida por causa da data, mas não é infeliz``. Para ela, Dia das Mães também é dia de gostar do que faz.
Sempre de sorriso no rosto, Anita Cunha Araújo, 43, quer mais é que as mães saiam de casa para provar da sua comida na barraca onde trabalha, na Praia do Futuro. Mesmo mais perto da cozinha do que dos três filhos, considera a data muito especial. ``Faço minhas comidas com muito amor. E hoje é que tem que caprichar para as outras mães poderem saborear!``. E segue mexendo o caldo, porque o Dia das Mães é apenas mais um dia de renúncia.
Janete Maciel, 40, gerente de um restaurante na Varjota, sabe que a comemoração com os filhos e o restante da família vai ter que esperar até o jantar. Por enquanto, ela aguarda as famílias que trazem no segundo domingo de maio o maior movimento do ano. ``Há 25 anos não sei o que é Dia das Mães. Mas eu levo mais para o lado de ser filha e cuido das outras mães. É o dia de elas saírem da cozinha``, indica, porque o Dia das Mães é ser da família, mesmo que não seja a sua.
Atrás do balcão da padaria do supermercado, Lucilene Alves do Nascimento, 46, nem faz conta de tantos dias assim, das mães, mas entregues completamente ao trabalho. Na ausência do ex-marido, precisou também ser pai. De lamentações, só uma: não poder ver a mãe, que mora em Redenção, a 63 quilômetros de Fortaleza. ``Só vou levar o presente em setembro, nas minhas férias``, espera, porque Dia das Mães ainda é ocasião de pensar em dias melhores.

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