22 de maio de 2010

Cid diz que PT só terá o vice

O governador Cid Gomes (PSB) disse ontem à tarde ao presidente Lula que ele candidato à reeleição comandará o palanque da candidata Dilma Rousseff no Ceará. O deputado federal Ciro Gomes, segundo o governador, também votará em Dilma. E o trabalho que vão desenvolver é no sentido de conquistar uma votação superior a 80% para Dilma, percentual só conseguido pelo presidente Lula, no segundo turno das eleições de 2006. No primeiro turno ele obteve 71%.
O governador teria dito mais ao presidente, segundo alguns dos seus correligionários, que para integrar a sua chapa está reservada ao PT a indicação do candidato a vice-governador, e o PMDB terá uma vaga de senador para o deputado federal Eunício Oliveira. O governador não iria mencionar o seu compromisso com a reeleição do senador Tasso Jereissati (PSDB), por ser questão ligada apenas ao interesse da política do Estado do Ceará.

Atenção
A audiência do governador com o presidente estava agendada desde a semana passada. Cid Gomes, no início desta semana, comunicou a aliados do PT e do PMDB que trataria com o presidente, por uma questão de atenção, seu posicionamento em relação à composição das alianças para a disputa que travará em outubro próximo, após oficializar o seu apoio à candidata Dilma Rousseff.
Foi o primeiro encontro dos dois após a decisão do PSB de retirar o apoio à pretensão do deputado Ciro Gomes de disputar a Presidência da República. O deputado ainda está nos Estados Unidos e de lá só retornará no próximo dia 29.
O governador, segundo afirmam, tem sido enfático nas conversas sobre alianças e chapa majoritária que o PT só terá a posição de vice-governador, que ele espera possa continuar sendo o Professor Pinheiro, com quem mantém um bom relacionamento, mas a sua continuidade ou não será uma questão interna do partido.
Ele não disse, mas alguns dos aliados mais próximos garantem que ele não aceitará qualquer nome. O próprio Professor Pinheiro com o deputado federal José Guimarães e o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho, detentores da maioria dos votos no comando petista cearense, estão advertidos da situação.
Cid Gomes não aceita na sua chapa como candidato ao Senado o deputado federal José Pimentel, nome apontado pelos petistas como certo para a disputa de uma das duas cadeiras do Ceará na Câmara Alta.

Gestos
As razões de tal rejeição ele nunca as tornou público, mas são conhecidos alguns gestos que confirmam a recusa de tê-lo como companheiro na chapa majoritária. Não se sabe se ele deu explicações ao presidente Lula sobre tal posicionamento, mas quem tem conversado com o governador ultimamente garante que ele está disposto a arrostar as consequências desse posicionamento, quaisquer que sejam eles.
Ontem, ao sair da audiência com o presidente Lula, o governador, na entrevista que concedeu à jornalista Ane Furtado, da Sucursal do Diário do Nordeste, em Brasília, evitou falar sobre a sua sucessão, mas fez questão de enfatizar que o seu "único compromisso de campanha foi assumido na campanha anterior, com o PMDB, para o apoio da candidatura de Eunício Oliveira ao Senado. Este é o único compromisso que tenho".
Na última segunda-feira, em Fortaleza, o governador tomou o café da manhã com o deputado federal José Guimarães e logo depois se encontrou, no Cariri, com o deputado federal Eunício Oliveira. Os dois sabiam da audiência dele com o presidente Lula, marcada para ontem.

Exceção
Antes da conversa com Lula, Cid esteve com o presidente nacional do PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos. O PSB fechou questão no apoio à Dilma Rousseff, impondo a todos os Estados, mesmo naqueles em que o partido esteja coligado com o PSDB, assumirem a campanha de Dilma, com exceção do Ceará.
Segundo o relato da colega Ane Furtado, Eduardo Campos disse que o Ceará é uma exceção e que no Estado quem coordenará e definirá as alianças, de forma independente, será o governador Cid Gomes, acrescentando que espera tratamento igualitário por parte do PT.
Cid disse em Brasília que "não há necessidade de exceção. Eu vou dar todo apoio à candidatura da ex-ministra Dilma. E tenho certeza de que Ciro fará a mesma coisa. Ele sempre afirmou que acataria a decisão do partido".

Expectativa
Agora, após a conclusão das questões nacionais, a expectativa é de que o governador trate oficialmente, a partir de agora, das alianças para sua campanha em busca do segundo mandato, embora ainda não tenha dado abertura para isso.
"Eu estou disciplinado a seguir um cronograma. Hoje (ontem) foi decidida a questão nacional. Agora, sim, vamos tratar das questões regionais. Vamos fazer três seminários, 29 (maio) 5 e 12 (junho) e vamos ouvir todos os diretórios regionais. Ainda não estou falando nem mesmo da minha candidatura, quanto mais as da coligação", disse ontem, em Brasília. A convenção do PSB, para homologar as candidaturas já está marcada para 27 de junho.



Edison Silva
Editor de Política

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